A Busca da Verdade
A Busca da Verdade
Querer entender o verdadeiro sentido da vida é uma inquietação comum em muitos indivíduos.
Este ímpeto leva os buscadores para a senda do conhecimento, procurando respostas nas religiões, nas ciências, ou mesmo nas tradições esotéricas.
Jesus resume, de forma sucinta, em que se traduz essa busca da Verdade: em Suas palavras, é a “busca pessoal de Deus”, ou seja, uma jornada individual, pessoal, intransferível, em direção ao Criador dos Mundos.
E deixa claro que, vivendo na imperfeição, nossa limitação sensorial nos permite apenas “intuir” parte dessa Verdade.
A caminhada é longa e estamos apenas começando. Mas tudo será revelado em seu devido tempo: “Nada ficará oculto”.
Vol.1| Pag.136 | Data: 01/04/0030
– Senhor, há tantas coisas das quais eu gostaria de te falar!…
– Ainda temos tempo. Tudo tem a sua vez.
Eu me sentia irritado. Tanto tempo aguardando aquela oportunidade e agora, a sós com o Mestre, eu não sabia o que dizer nem o que perguntar.
– Há pouco tu me perguntaste o que acontecia comigo – disse-lhe intrigado. – Como pudeste perceber?
– Levanta a pedra e ali me encontrarás. Corta a madeira e eu ali estarei. Onde houver solidão, ali estarei eu também.
– Sabes, durante toda a minha vida senti-me só… Jesus replicou de forma fulminante:
– Eu sou a luz que está sobre todos. Há muitos que se mantêm junto à porta, mas em verdade te digo que só os solitários entrarão na câmara nupcial.
– Fico tranquilo em saber que todos os que duvidamos temos um lugar no teu coração…
O gigante sorriu pela segunda vez. Mas agora seus olhos brilharam como o bronze polido.
– O mundo não é digno daquele que encontra a si mesmo…
– Mil vezes me tenho feito a mesma pergunta: por que estamos aqui?
– O mundo é uma ponte. Vós passais por ele, mas não vos instalais nele.
– Mas – insisti –, não respondeste à minha pergunta…
– Sim, Jasão, sim, eu o fiz. Este mundo é como uma antessala do Reino de meu Pai. Prepara-te na antessala a fim de que possas ser admitido na sala do banquete. Sê um caminhante que não para!
– Mas, senhor, conheço muitos que se têm “instalado” em sua sabedoria e dizem possuir a verdade.
– Diz-me uma coisa, Jasão. Onde cresce a semente?
– Na terra.
– Em verdade te digo que a verdadeira sabedoria só pode nascer no coração que tenha chegado a ser como o pó… O sábio e o ancião que não hesitarem em perguntar a um bebê de sete dias pelo lugar da Vida viverão. Porque muitos primeiros serão últimos e chegarão a ser um.
– Tu falas da verdade, mas onde devo buscá-la?
– Se os que vos guiam vos dizem: “Vede, o Reino está no céu”, então os pássaros do céu vos precederão. Se vos dizem que está no mar, então os peixes do mar vos precederão. Mas eu te digo que o reino de meu Pai está dentro e fora de vós. Quando vos conhecerdes, sereis conhecidos e sabereis que sois os filhos do Pai vivente. Mas se não vos conhecerdes, estareis na pobreza e sereis a pobreza.
O rabi deve ter notado minha confusão. Então acrescentou:
– Alguma vez escutaste teu próprio coração?
Assenti, sem saber aonde ele queria chegar.
– O segredo para possuir a verdade só está em meu Pai. E em verdade te digo que meu Pai sempre tem estado em teu coração. Tens apenas de olhar “para dentro”… Bem-aventurado o que busca, ainda que morra crendo que jamais encontrou. E feliz o que, de tanto buscar, encontra. Quando encontrar, ficará perturbado. E, tendo-se perturbado, ficará maravilhado e reinará sobre tudo.
– Senhor, olho ao meu redor e me maravilho e me entristeço ao mesmo tempo…
– Eu te asseguro, Jasão, que todo aquele que sabe ver o que tem diante dos olhos receberá a revelação do oculto. Não há nada oculto que não venha a ser revelado.
Vol.1| Pag.275 | Data: 05/04/0030
– Não deveis permitir que as grandes multidões vos enganem. As que nos ouviram no Templo e que pareciam crer em nossas pregações, são essas, precisamente, que escutam a verdade de forma superficial. Muito poucos permitem que a palavra da verdade lhes golpeie forte o coração e germine raízes de vida. Os que só conhecem o Evangelho com a mente e não o sentem no coração não podem inspirar confiança quando chegam os maus momentos e os verdadeiros problemas.
– Quando os dirigentes dos judeus chegarem a um acordo para destruir o Filho do Homem e quando tomarem uma única deliberação, então vereis que essas multidões escaparão consternadas ou se afastarão em silêncio.
– Então, quando a adversidade e a perseguição descerem sobre vós, chegareis a ver que outros (que pensáveis que amavam a verdade) vos abandonarão e renunciarão ao Evangelho. Vós descansastes hoje para vos preparardes para esses tempos que se avizinham. Tomai cuidado, portanto, e rogai para que, pela manhã, possais estar fortalecidos para o que vos aguarda.
Vol.3 | Pag.302 | 21/04/0030
– Quando compreendereis que o tempo é apenas a imagem em movimento da Eternidade? Quanto mais precisareis para considerar que o espaço é tão-somente a sombra fugidia das realidades do Paraíso ? Vós vos orgulhais de vossas descobertas e pensais que a Verdade Absoluta está ao vosso alcance. Não compreendeis que sois como meninos recém-chegados a uma ordem imensamente velha e inconcebivelmente sábia.
Vol.3 | Pag.304 | 21/04/0030
– Os descobrimentos intelectuais, meu amigo, constituem sempre uma “aventura” e um risco. Mas só os audazes, os que obedecem a seu próprio “eu”, estão capacitados para enfrentar isso. Só esses, os autênticos “buscadores” da Verdade, sabem explorar com determinação e sem medo as realidades da experiência religiosa pessoal. Tu mesmo e teu irmão estais experimentando a suprema satisfação do triunfo da Fé sobre as dúvidas intelectuais!
– E essas vitórias, único objetivo da existência humana, só conduzem a um fim: a busca pessoal de Deus. Em verdade, em verdade te digo que todo homem que se empenhe nessa suprema aventura encontrará meu Pai, até mesmo no desalento das dúvidas. A religião do Espírito significa luta, conflito, esforço, amor, fidelidade e progresso. O dogmatismo, ao contrário, só exige de seus fiéis uma parte ínfima desse esforço. Não esqueças, Jasão, que a tradição é um caminho fácil e um refúgio seguro para as almas fracas e temerosas, incapazes de afrontar as lutas do espírito e da incerteza. Os homens de fé viajam sempre pelos difíceis oceanos, à busca de novos horizontes. Os submissos limitam-se a navegar pela costa ou a ancorar suas inquietudes ao abrigo de portos limitados, inadequados a “navios” construídos para audazes e distantes navegações…
Vol.3 | Pag.343 | 22/04/0030
– Não estranheis – Jesus retomou a palavra – se notardes que esta forma carnal pouco ou nada tem que ver com o que conheceis. Lá onde sereis devolvidos à vida verdadeira, as limitações que vos perseguem aqui “embaixo” não têm sentido. Lá sentireis outra categoria de fome. E de sede. Outra classe de sentimentos e necessidades. Repito-vos: não vos atormenteis. Agora é muito difícil que o homem mortal possa alcançar as estrelas. Deve bastar-vos saber que elas estão ali e que, no momento próprio, não apenas as estrelas farão parte de vosso conhecimento. A “estrada” para o Pai Universal é prodigiosamente reveladora. Nada ficará oculto. Não esqueçais que vossos conhecimentos são finitos e que toda compreensão, por parte das criaturas mortais, é relativa. Qualquer informação, mesmo a que procede de fontes elevadas, só é relativamente completa, localmente exata e pessoalmente verdadeira. Só isso. Os fatos físicos podem ser uniformes, mas a verdade é uma realidade viva e flexível na filosofia do universo. As pessoas que evoluem como vós estais fazendo agora só parcialmente são sábias e relativamente verdadeiros em suas mensagens. Só podem ter certeza nos limites da experiência pessoal. Algo que pode parecer certo em determinado lugar pode ser relativamente verdadeiro em outro segmento da criação. A verdade divina, a verdade final, é uniforme e universal. A história das criaturas espirituais, tal como é contada por numerosas individualidades originárias de esferas diversas, pode mudar às vezes nos detalhes. Isso obedece à relatividade na plenitude de seus conhecimentos e de sua experiência pessoal, assim como à extensão e amplitude dessa experiência…
Vol.6 | Pag.396 | 21/08/0025
Então, apontando as evoluções da mariposa Euprepia em seu vôo, afirmou:
– Aí levais vantagem. Vós, sim, podeis experimentar Deus…
Ele nos olhou com intensidade e insistiu:
– Eu disse experimentar, não demonstrar… Nessa busca, quando o homem persegue e anseia por Deus, sua alma, ao encontrá-lo, nota, percebe, experimenta sua presença. Isso é suficiente…, por ora.
– Experimentar o Pai? E como se faz isso, como se sabe isso?
– Não escutaste minhas palavras, querido "destroça-patos". Quando um ser humano "toca" o Pai, quando Ele te "toca", a alma fica em pé. É uma sensação única. Clamorosa. E uma magnífica segurança te acompanha por toda a vida… Mas esse benéfico sentimento é pessoal e intransferível. É difícil de explicar, mas tão real como a visita da ternura, da compaixão ou da alegria.
– Por isso, Jasão, porque se trata sempre de uma experiência, de um sentimento pessoal, não escrevas para convencer. Faça-o para insinuar. Para ajudar. Para iluminar… Não "vendas", querido anjo. Não grites o nome do Pai. Não obrigues. Não discutas. Cada um, segundo o estabelecido, receberá o "toque" em seu devido tempo. Não há pressa. Abbã sabe. Abbã reparte.
Vol.6 | Pag.398 | 21/08/0025
– Mas, Senhor, não percebo nada especial… Se o Chefão estivesse em meu interior, eu teria notado.
– Tu o percebes, querido "ajudante", o percebes… O problema é que, até agora, não sabias. Podias intuí-lo, mas ninguém te havia confirmado isso.
– Eu percebo? Tu acreditas nisso?
– Vou te dizer uma coisa. Que opinião tens dessa bela mariposa? Por que ela se sente atraída pela luz?
– Isso é instintivo.
– Correto. Ela não tem consciência, no entanto "algo" a empurra.
Concordamos em silêncio.
– Muito bem, convosco, os seres humanos, acontece a mesma coisa. "Algo" que não podeis, que não sabeis definir, vos impele a pensar em Deus. "Algo" desconhecido vos proporciona a capacidade intelectual suficiente para que penseis no problema da divindade. "Algo" sutil vos arrasta até o mistério de Deus.
– Ninguém está livre dessas inquietações. Cedo ou tarde, em maior ou menor medida, todos se fazem as mesmas perguntas: "Quem sou?", "Existe Deus?", "O que quer de mim?", "Por que estou aqui?".
Voltou a enfiar o galho no meio do fogo e uma nova coluna de centelhas agitou-se brevemente no incrível e solene silêncio da noite e dos nossos corações. Finalmente, dirigindo-se ao engenheiro, perguntou:
– Nunca percebeste essa inquietação?
Eliseu disse que sim. Muitas vezes…
– Agora sabes. Esse impulso, essa necessidade de conhecer, de saber de Deus, é animada pela "centelha" que mora dentro de ti. Essa presença do "Chefe" em teu íntimo é o que realmente te torna diferente. É o que aperfeiçoa e corrige teus pensamentos. Aquilo que, às vezes, escutas falando contigo em voz baixa. Que sempre tem razão. Que, de forma definitiva, te "puxa" para Ele.
Vol.6 | Pag.418 | 30/08/0025
Conversa com Tiglat pai e Tiglat filho
– Sim, meu amigo… Eu conheço a verdade. Teu filho está certo. A verdade existe mas, no momento, não está ao alcance dos seres humanos.
Apontou a lua, quase cheia, e ponderou:
– Vós tendes uma idéia da realidade. Mas é um conceito limitado, próprio de uma mente finita que mal acaba de acordar. Para estes dois - continuou referindo-se a Eliseu e a este que aqui escreve -, educados em outro lugar, a realidade do universo é diferente da vossa…
A sutileza, logicamente, não foi captada pelos Tiglat em sua autêntica dimensão. Mas a comparação era válida. E soubemos ler nas entrelinhas.
– Eles entendem a lua e as estrelas de uma maneira. Vós, de outra. Sem dúvida, tendes diferentes conceitos de uma mesma realidade. E eu vos digo: os quatro ainda sabeis pouco. A realidade total, final e completa, é muito mais que tudo isso.
Ninguém respirava.
– Mais além do que vedes, existem outras realidades tão físicas e concretas como esta lua, que pertencem ao mundo do não-material. Esse mundo invisível e inconcebível para vós, constitui na verdade a autêntica "realidade".
E terminou chegando ao que anunciara inicialmente.
– Mas… como eu dizia, para alcançar essa realidade última, a grande verdade, necessitais de tempo. Muito tempo. A verdade, portanto, existe, mas é totalmente impossível de ser abrangida pela mente e pela inteligência de uma criatura mortal.
Vol.6 | Pag.421 | 31/08/0025
– Agora estamos sós. Talvez desejes falar com maior clareza. O que é isso de "outras realidades"?
Jesus pareceu surpreso pela abordagem.
– Achei que havias entendido…
O engenheiro, transparente, também falou por mim.
– Sim e não… Por exemplo, nos deixaste perplexos ao garantir que a verdade não está ao alcance da mente humana.
O Mestre levantou o rosto em direção às estrelas e perguntou:
– Estais vendo essa luz?
– Sim, Mestre. É a luz do universo.
– Dizei-me, crês que é a única luz?
Aqueles exploradores, sentindo uma secreta intenção na pergunta, se entreolharam sem saber o que responder.
– Bem - expressei meio receoso - assim parece…
– Dizes bem, Jasão. Assim parece, mas não é… Essa é vossa realidade. O problema é: trata-se da única realidade?
– Estás insinuando que existe outro tipo de luz?
– Não, querido "ajudante", não insinuo. Afirmo. No reino de Abbã existem três tipos de luz: a luz material, que estás vendo agora. A luz intelectual e a luz espiritual, a genuína.
– Mas essas são físicas?
– Muito mais que a das estrelas…
Eliseu, insatisfeito, insistiu:
– Quando digo "físicas", quero dizer "físicas"…
Jesus sorriu. E fez suas as palavras do meu amigo.
– Quando digo "físicas", eu também quero dizer "físicas".
– Calma! - suplicou o Mestre. E foi direito ao assunto. - Os dois estais com a razão. Essas "outras realidades", as luzes do intelecto e do espírito, não estão visíveis agora, enquanto permanecerdes nessa forma humana. Será que não entendeis? Estais no princípio. Sois como um bebê. Nem sequer aprendestes a ficar em pé…
– Estamos diante do mesmo caso da mariposa. Se conseguísseis apanhar uma dessas criaturas, como a convenceríeis de que o mundo se estende muito além do nahal? (\Nota: nahal significa rio)
– Impossível, Senhor.
– Pois em verdade vos digo que esse, nem mais nem menos, é o vosso caso. Acabais de nascer para a vida e ignorais tudo sobre as realidades que o PAI sustenta. E dizei mais: embora por razões diferentes às vossas, as criaturas espirituais também consideram a matéria como algo irreal.
Imagino que percebeu nosso desconcerto. E apressou-se a explicar:
– Queridos anjos, conforme vos afastais dessa estrutura material, conforme ganhais em perfeição e luz espiritual, tanto mais difusa estará a lembrança desta etapa. Na verdade, essas criaturas de luz atravessam a matéria física como se não existisse.
– Entendo, Senhor. Por isso dizias que a verdade final não está ao nosso alcance…
– Por ora, Jasão. Só por ora… Pouco a pouco, mais adiante, irás captando e compreendendo.
– E serei sábio?
– Mais que agora, sim… Mas não te confundas, meu querido "destroça-patos". Nem sequer quando chegares à presença do Chefão, estarás de posse da verdade absoluta.
Vol.7 | Pag.443 | 02/11/0025
Conversa de Jasão com Aba Saul (Ancião da Ordem dos Melquisedeques)
– A verdade não foi feita para ser apregoada. Quando alguém acredita possuí-la e a expõe ao ar livre, confunde a língua do seu amo…
– Porém tu, vós - apressei-me a retificar - sabeis que o povo equivoca-se. O Messias não será libertador político…
– O povo? - sorriu com ironia -. Só importa o homem. O mundo mudará quando os governantes aprenderem este simples princípio: cada homem é um mundo diferente, da mesma maneira que não há dois círculos iguais. Não se deve falar às multidões. Convém falar a cada coração e isso é o que fazemos. Agora é a tua vez…
– Não compreendo. Por que dizes que a verdade não foi feita para ser proclamada? O príncipe da paz fez isso. Esse "Filho de Homem" que chegará algum dia também a proclamará…
– Não te confundas, Jasão. Nós não somos eles. A verdade é a linguagem dos deuses. Nós os humanos nem sequer sabemos falar. O príncipe ou o próximo Bar Nasa não se refere à verdade, mas sim a uma remota aproximação à verdade.
Observou-me, tentando averiguar se o acompanhava. Neguei com a cabeça. Não eram palavras fáceis para mim.
– Não te assustes, querido e impaciente amigo. A verdade existe, mas não aqui. Se chegasses a possuí-la, ela te consumiria como o fogo. Uma coisa é manifestar que a verdade está aí, no Altíssimo, e outra muito diferente é desnudá-la diante dos homens.
Aquelas palavras eram muito familiares para mim…
– E para ti, o que é a verdade?
– A qual te referes? Derrubou-me, mais uma vez.
– Existem várias?
O sorriso foi alargando-se e os olhos, finalmente, iluminaram-se.
– Perguntas pela verdade de minha juventude? Fugiu e deixou-me isto… Retirou o talith e mostrou a cabeleira nevada.
– Perguntas pela verdade que descobri ao ficar apaixonado?
Creio que notou minha perturbação.
– Aquela foi uma das mais próximas. Pensei tocar o céu. Também fugiu, na ponta dos pés.
– Perguntas pela verdade que se senta ao teu lado, junto à dor? Esta nós mesmos a espantamos, assim que podemos…
– Perguntas por minhas ilusões e esperanças? Cada uma viaja com uma verdade sobre os ombros, todas diferentes…
– Tu te referes, quiçá, à verdade que habita nesta casa, amassando o presente com Jaiá? Todos os dias, o Altíssimo ocupa-se de alterar o seu rosto. A qual dessas verdades te referes?
Mensagem recebida. Tentei esclarecer outra dúvida:
– Por que insistes em chamá-lo "príncipe da paz", quando, na realidade, seu título é "Malki Sedeq" ou "rei de justiça"?
Satisfeito, muito satisfeito, respondeu:
– A justiça é para os homens. Os que transcendem o "círculo central" caminham pelo território do amor. É preferível passar por esta vida dando do que exigindo. A paz é mais saudável que a justiça. Compreendes por que trocamos o título do príncipe? A justiça é ácida, sempre com arestas. É humana. É vinagre. Não é má, mas somente ajuda a temperar. Preferimos o vinho, a paz.
– Sim, sei disso, acrescentei, lembrando das palavras do Mestre no kan de Assi -. O Pai não sabe da justiça…
Vol.9 | Pag.938 | 23/04/0027
Em outra oportunidade lhe perguntaram: "Como estaremos certos de que tu és um enviado e que esse reino invisível e alado existe?"
– Todos terão comprovado alguma vez - replicou Jesus com segurança. - Quando a verdade se aproxima, algo se estremece no interior. O coração treme, ainda que não saibamos por quê…
Eu lhe dei razão. E me recordei de Ruth.
– O que desejas saber… - prosseguiu o Galileu - é como o enamorar-se. Não há palavras. Se sente. Está aí, ainda que pareça difícil descrevê-lo… Com o novo reino acontece o mesmo. Quando se incorpora a ele, tudo faz sentido.
E concluiu com uma frase que me deixou atônito:
– Aquele que ama ao próximo…, me pratica.
Vol.11 | Pag.132 | 06/02/0028
O Rabi então falou sobre a verdade…
Yu explicou que, de acordo com o Mestre, existem dois tipos de verdades: a absoluta, à qual o homem não tem acesso (na vida), e as parciais.
– Você poderia imaginar o que é uma criatura sem começo nem fim? Jesus perguntou.
– Você pode entender que existem sete deuses em um?
Ninguém sabia do que ele estava falando.
– Essa seria a verdade absoluta, – disse o Galileu, enfaticamente. – Mas você ainda não é capaz de assumi-la. A verdade absoluta aniquilaria você. Este não é o momento de descobri-lo. Nem mesmo para intuir isso. Deveis continuar no longo caminho da santidade, com a vossa própria personalidade. Se toda a verdade fosse apresentada a você (se o Pai Azul viesse agora ao seu encontro), seu "eu", sua personalidade, pararia de progredir. A luz do bom Deus é tal que você acabaria anulado. Dê tempo ao tempo. Portanto, não prestem atenção àqueles que afirmam possuir a verdade absoluta. Mentem.
E o Mestre qualificou:
– Agora você tem acesso apenas a verdades parciais ou limitadas. As verdades que Eu lhes ofereço. É a lei…
– Como sei que estou fazendo a vontade do Pai Azul?
Hípias estava interessado.
– É fácil, respondeu o Galileu. Você saberá pelo grau de amor por seus semelhantes.
Mas, o grego se mexeu, "como posso amar aquele que me calunia?"
_– Precisamente porque você não sabe tudo sobre ele. Ninguém sabe nada sobre o tikkun dos outros (*Nota: tikkun refere-se ao destino de cada um, a missão, o roteiro da vida). Além disso, o ódio não é econômico nem lucrativo. Você perde seu valioso tempo e isso não leva a nada de bom. Tudo é ordenado para o bem, mesmo que você não o entenda. Tudo._
– E se Deus é bondade, disse o zelote, por que Ele consente com o mal?
Jesus respondeu com uma frase que também não entendemos:
– Você acha que Abbã é responsável pela chuva?
E ele qualificou:
– Você não está em posição de abranger os planos da Divindade, muito menos sua intencionalidade. O mal faz parte do jogo em certos lugares, não em todos… Confia.
E voltando-se para Hípias, ele disse:
– Onde você termina - é aí que começamos.
Quando o grego se retirou, de acordo com Yu, os discípulos repreenderam o Mestre por ter tido tanta paciência e consideração pelo filósofo. João Zebedeu foi um dos mais combativos.
– A verdade é tolerante, respondeu Galileu. Não tenha medo. A intolerância é a máscara dos inseguros. Os homens e mulheres que fazem a vontade do Pai Azul não se esquivam de críticas construtivas. Eles não têm medo.
Vol.11 | Pag.507 | 02/04/0029
Pergunta de Maria Madalena:
– Rabi, por que todo mundo busca o sucesso?
Pedro e João Zebedeu a assassinaram com os olhos.
– Porque eles não conhecem o verdadeiro - o autêntico - significado da vida…
A resposta de Jesus interessou mais.
E o Galileu continuou, enquanto estendia as palmas das mãos em direção ao fogo:
– E você vai me perguntar: qual é o sentido da vida?
– Isso – disse o Urso – qual?
– Nós conversamos sobre isso… O significado está em experimentar e buscar o Pai Azul.
Bartolomeu interrompeu novamente:
– Mestre, por favor, vamos começar do começo: o que é sucesso?
Jesus de Nazaré olhou para aqueles homens e mulheres perplexos e intrigados e terminou perguntando:
– Você me diz…
E ele convidou Madalena para fazer uma declaração.
– O sucesso, – Maria duvidou – é um mal-entendido.
– Por quê? Pedro perguntou entre risos.
– Isso não leva a nada, resumiu a corajosa mulher.
Jesus olhou para Madalena e reforçou o que ele disse a "peito de tábua":
– O sucesso é um mal-entendido… O homem o persegue sem saber que ele já triunfou.
Eles não entenderam e perguntaram de uma só vez:
– Como é isso?
Jesus colocou o dedo indicador esquerdo na testa e esclareceu:
– A partir do momento em que o Pai Azul se instala em sua mente… você já triunfou!
– Rabi, – a Madalena interrompeu novamente, – qual é o melhor conselho para alcançar o sucesso interior?
O Galileu sorriu e proclamou, enfaticamente:
– Duvidar…
Naquela noite, pensei muito sobre o nitzutz, a centelha divina que, segundo o Mestre, habita na mente humana. Deus dentro de mim? Um ser tão miserável quanto eu? Que mistério! Se assim for, o Pai Azul seria realmente uma criatura amorosa… Mas quem sabe?