Sobre os Medos
Sobre os Medos
Michael esclarece acertadamente em seus diálogos, que o medo é o grande inimigo do homem.
De fato, aquilo que ameaça nossa segurança ou põe em risco nossa sobrevivência, pode alterar significativamente as nossas decisões e o curso de nossas vidas.
Some-se a isso o fato de que hoje em dia, as doenças, maldades e tragédias são registradas em vídeo e divulgadas em redes sociais, chegando facilmente ao nosso conhecimento, o que nos torna ainda mais temerosos em relação às ameaças ao nosso futuro e daqueles que amamos.
Neste sentido, a busca por uma espiritualidade mais profunda, a busca pela Centelha, torna-se ainda mais justificável e mais necessária.
Pois aquele que enxerga em si próprio a existência de uma Fração Divina, abandonando-se nas mãos do Destino, conecta-se diretamente com uma força benéfica muito intensa, que “sufoca” o medo.
O medo perde o sentido quando confiamos no Pai e entendemos que, apesar dos males que afetam o mundo, tudo está disposto para o bem.
Vol.6 | Pag.404 | 21/08/0025
– Os medos! - exclamou Eliseu convencido. – Como tens razão! Por que o homem sente tanto medo?
– Muito simples. Porque não sabe, não está consciente disso que vos estou revelando. No dia em que acordar, e não tenhais dúvida de que o fará, e compreender que é filho de um Deus, que é imortal e que está condenado a ser feliz, nesse dia, meus queridos anjos, o mundo será diferente. O ser humano só terá um temor: de não se parecer com Ele…
E, de imediato, ponderou:
– Mas esse "medo" também acabará desaparecendo. A "centelha" irá sufocá-lo.
Vol.6 | Pag.410 | 21/08/0025
– Quando teu coração se abre e se faz aliado da vida, quando te abandonas à sua vontade, nada, dentro ou fora de ti, te fará tremer. Como um milagre, tua alma caminhará segura. Nada, querido anjo, nada te fará retroceder! E essa sensação, esse sentimento de segurança te acompanhará até o fim de teus dias.
– Mas não vos equivoqueis. Ao mesmo tempo que esse homem afortunado cresce, assim desaparece…
– Não entendo.
– É fácil, querido "ajudante". O Amor que se derrama do Pai é turbulento. Não conhece descanso. E deverás irradiá-lo. Compartilhá-lo. Catapultá-lo. Não é propriedade tua. Pois bem, um dia, sem prévio aviso, perceberás uma coisa igualmente maravilhosa: não existes! Desapareceste para ti mesmo! Não contas! Não exiges! Não precisas! Não reclamas!
E assinou a revelação com o melhor de seus sorrisos.
– Terás triunfado! Nesse momento, enfim, terás compreendido, querido "sócio"…
Vol.9 | Pag.923 | 18/04/0027
– Mestre, por que respondeste ao "Castigo" (Anás) dessa maneira?
O Galileu, acredito, agradeceu a pergunta e lançou:
– Qual, vós podeis dizer, é o pior inimigo do homem?
Discutiram.
Não houve forma de resumir os diferentes critérios.
Uns defendiam que era a inveja. Outros se inclinaram pela cobiça, pelo orgulho e pela idolatria. Tomé se retratou, assegurando que era a mulher.
Pedro aproveitou a oportunidade e apontou sua sogra. Jesus deixou que eles falassem.
Depois, uma vez expostos os argumentos, se dirigiu aos seus homens e proclamou:
– O grande inimigo do homem é o medo.
E acrescentou:
– Estais aqui para proclamar a boa-nova: o medo terminou.
Eles o olhavam, estupefatos.
– Vós sois imortais! - prosseguiu o Filho do Homem, tentando despertar a alma dos íntimos.
– Aquele que confia, aquele que se entrega à vontade do Pai, nunca mais voltará a esbarrar com esse tirano…
– Tu te referes a Anás?
– Não, Bartolomeu, estou falando do medo, o grande tirano do homem…
Mateus, sim, compreendeu, e apontou acertadamente:
– Estamos sentados no colo do Número Um… É impossível temer…
Jesus correspondeu com um sorriso esplêndido. Era isso mesmo.
– Mas se não tenho medo - interviu Tiago Zebedeu -, em que eu me converto? Não é isso o que diz a Lei…
– Vê uma criança… Ela confia plenamente em seu pai. Não há medo nela. Isso é o que eu peço e quero que soliciteis ao mundo: medo, nunca mais! Estais sentados no colo de um Deus! Medo, nunca mais!
– E o que sucederá com os meus muitos pecados?… Era Felipe quem perguntava… – Como saberei que o Pai me perdoou?
O Galileu, então, começou a contar uma parábola. Falou de um judeu que escrevia seus pecados em um livro. Nesse mesmo pergaminho tomava nota dos pecados cometidos por Deus contra ele e contra a sua família e amigos.
Os discípulos ouviam, atônitos.
E chegou o Kippur (o dia do Perdão). Então o judeu em questão pegou o livro, o abriu e, dirigindo-se a Deus, exclamou: "Hoje chegou a hora para nós dois… Tu, meu Deus, e eu, repassaremos as contas… Aqui tenho a lista de meus pecados e a lista dos teus: as tristezas e desgraças que tu ocasionaste à minha família, aos meus amigos e a mim mesmo… Se calcularmos, tu me deves mais do que eu a ti…"
Bartolomeu, o "urso" de Caná, assentiu com a cabeça, com ar divertido.
E Jesus concluiu:
Porém, como hoje é o Kippur, o dia em que cada um deve fazer as pazes com o vizinho, eu te perdoo…, se tu concordares em perdoar-me.
Fim da parábola.
E o Mestre perguntou:
– Qual é a vossa opinião, com relação ao judeu que perdoou a Deus?
Uns o chamaram de "irreverente". Outros o qualificaram de "blasfemo".
Mateus o chamou de "estúpido" e acrescentou:
– Perdeu seu tempo… Pelo que nos foi ensinado, ninguém tem a capacidade de ofender a Deus.
Foi o único que compreendeu. E o Mestre sentenciou de novo:
– Anás prefere o medo à luz…