Sobre a Criação do Universo e a Rebelião dos Anjos

Nas passagens abaixo, Jesus explica alguns pontos a respeito da criação dos mundos.

Ensinamentos considerados sagrados, como o Gênesis, são contestados por Michael, indicando que a verdadeira história é mais bela do que aquela que vem sendo propagada desde o início dos tempos.

Adão, Eva e a serpente; Noé e o dilúvio; Jonas e a baleia; todas estas passagens bíblicas foram escritas por homens iluminados, mas que apenas contavam uma versão poética da história, como suas mentes enxergavam.

Jesus dá a entender que a humanidade foi criada por elementos fracionados do primeiro ser inteligente que alcançou a consciência e que, para ser um Deus completo, esta humanidade deveria voltar a fazer parte dEle através de uma jornada evolutiva.

Deus encomendou a um de seus Filhos (um Filho Criador assim como o Pai Criador) que criasse um novo Universo: uma galáxia, um reino repleto de estrelas e mundos.

Por ordem deste Filho Criador, alguns anjos desceram à Terra, que é uma parte quase insignificante desta galáxia, onde criaram as plantas, os mares e os peixes, as aves, os campos e todas as espécies de animais.

Os anjos então “sussurraram palavras de vida” a um jovem casal de gêmeos de uma determinada espécie (homo sapiens) e estes “acordaram” e entenderam que eram diferentes dos outros animais. Eles receberam dos anjos outras qualidades como coragem, curiosidade, lealdade, generosidade e intuição, surgindo assim a raça humana.

Estes mundos que foram criados eram comandados por anjos, designados como príncipes ou governadores “espirituais”. Estas criaturas almejavam, como nós, o reencontro com a Fonte Primordial de Luz.

Infelizmente para nós, uma pequena quantidade de anjos, incluindo Luzbel que era o príncipe do nosso e de muitos outros mundos, iniciou um levante, uma rebelião contra o Criador, desejando que este reencontro com a Origem Divina fosse mais rápido, sem ter que passar por todas as etapas da evolução. Os rebeldes chegaram até mesmo a questionar a existência do Criador.

Esta rebelião dos anjos causou o isolamento dos mundos que governavam, até que o Filho Criador (Michael) resolveu descer ao nosso mundo como uma criatura simples, um carpinteiro, fazendo-se homem para revelar às suas criaturas a existência de Deus e de Sua infinita bondade.

A encarnação de Michael foi notada pelos anjos rebeldes, que ao saber de Sua decisão de trazer uma mensagem de esperança à Terra, tentaram convencê-Lo a se unir a eles, mas não tiveram sucesso na “batalha dialética” e foram derrotados. Michael foi elogiado e reconhecido por fazer a vontade do Pai e recebeu o título de “Príncipe da Terra”, enquanto os derrotados aguardam julgamento em instâncias superiores.

Esta é, em síntese, a “aproximação à verdade” da criação dos mundos transmitida por Jesus em sua passagem.

Vol.3 | Pag.346 | 22/04/0030

–…Mas colocar-vos-ei um exemplo. Há milhares de milhões de “éons” de tempos, o primeiro Inteligente que alcançou a consciência entrou no não-tempo, depois de experimentar um processo que também durou milhares de milhões de “éons” de tempos. No mesmo instante da transição ao não-tempo soube que, com isso, iniciava um longo caminho de realização absoluta de si mesmo que igualmente se prolongaria por milhares de milhões de “éons” de tempos, à espera de que as humanidades em caminho chegassem a fazer parte dele. E aquele Ser pensou: “Eu serei vossa meta, ainda que me ignoreis. Eu serei vosso propósito, quando apenas me presumirdes. Eu serei vossa imagem quando crerdes em mim. Eu só serei Deus quando formardes um todo comigo: quando chegardes a ser Deus comigo. E juntos voltaremos a começar um processo para além do não-tempo, pois que o tempo terá perdido sua razão de ser.”

Vol.6 | Pag.372 | 20/08/0025

– Teu reino… Onde está? No que consiste?

Jesus estendeu os braços. Abriu as palmas das mãos e me olhou feliz.

– Aqui mesmo.

Depois, levantando o rosto até a congestionada e provocante "Via Láctea", acrescentou:

– Lá mesmo.

– O universo é teu reino?

– Não, querido Jasão - ponderou com aquela infinita paciência, – os universos têm seus próprios criadores. O meu é um deles…

– Tem graça isso – reagiu o engenheiro. – Tu, Senhor, não és o único Deus…

– Te repito uma vez mais: a pequena chama de teu entendimento acaba de ser acendida. Não pretendas iluminar com ela a totalidade do criado. Dá-te tempo, querido anjo…

Contudo, Eliseu, de idéias fixas, comentou quase para si próprio:

– Muitos Deuses!… E tu, és grande ou pequeno?

O Mestre e eu trocamos um olhar. E, sem poder nos conter, acabamos na risada.

– Nos reinos do meu Pai, querido "ajudante", não há grandes nem pequenos… O amor não distingue. Não mede.

Vol.6 | Pag.441 | 08/09/0025

– Lembras: "Na casa do meu Pai existem muitas moradas…"

Concordamos impacientes.

– Pois bem. No meu reino há algumas estâncias… digamos que "especiais", nas quais voltais à vida. A verdadeira vida.

Ele nos observou contente.

–…Depois da morte, depois desse sono fugaz, aparecereis em um mundo diferente…

– Com casas, árvores, rios?

– Sim, meu impulsivo amigo, igual a este… mas diferente.

– Já disseste isso muitas vezes, Senhor…

Captei o erro involuntário e retifiquei.

– Perdão, dirás isso muitas outras vezes… "Quando chegar a hora despertareis num mundo que nem sequer podeis intuir." Agora dizes que é igual a este, mas diferente. Não entendo…

– É lógico, Jasão. Dizei-me uma coisa: consegues imaginar corpos, matéria, que são e não são matéria? Estais capacitados para compreender uma besar (carne) que além do mais é or (luz)?

– Carne e luz ao mesmo tempo?

Não, não éramos capazes de assimilar esse conceito.

– A isso eu me refiro – continuou o Rabi fazendo um esforço para aproximar as palavras à nossa curta inteligência – quando vos digo que esse esplêndido mundo é igual, mas diferente.

– Matéria e luz!

Vol. 6 | Pag.456 | 16/09/0025

Vou lhes contar um conto…

– Faz tempo, muito tempo, o grande Deus encomendou a um de seus Filhos a criação de um novo universo. E esse Filho construiu um magnífico reino, repleto de estrelas e mundos.

Era um universo imenso.

– E aquele Filho governou com amor e sabedoria durante milhares e milhares de anos.

– Mas aconteceu uma coisa…

– Certo dia, numa região afastada, vários dos príncipes a seu serviço, chefes de outros tantos mundos, decidiram rebelar-se contra a autoridade do Filho e soberano. Não acreditavam mais em sua forma de governo e incitaram outros príncipes próximos a se manifestarem contra o estabelecido. E tentaram formar seu próprio reino, rejeitando o monarca e, de forma definitiva, ao grande Deus.

– O Filho, lançando mão do amor e da misericórdia, tentou restabelecer a ordem. Foi inútil. Os rebeldes, mergulhados no erro, desprezaram todas as tentativas de reconciliação.

– Finalmente, esse Filho divino tomou uma decisão: viajaria incógnito até os longínquos mundos dos infratores, fazendo-se passar por um modesto carpinteiro. Escolheu um dos planetas e ali nasceu como um homem comum. E assim viveu, sujeito à carne, e ensinando a verdade aos povos. Mostrou-lhes quem era na verdade o grande Deus. Falou do esplêndido futuro que os aguardava e, acima de tudo, lembrou-lhes de que eram filhos desse maravilhoso Pai.

– Mas a fama daquele Homem-Deus acabou chegando aos ouvidos dos príncipes rebeldes. E aconteceu que, em certa ocasião, quando o carpinteiro rezava no alto de uma montanha nevada, dois dos traidores se apresentaram diante dele, fazendo todo tipo de perguntas.

– Quem és…? Como te atreves a falar desse Deus? Quem te enviou?

– Por último, convencidos de que estavam diante do Filho e soberano do universo, fizeram-lhe uma proposta: Une-te a nós!

– E o Filho respondeu:

– Que seja feita a vontade do Pai.

– Os rebeldes, derrotados, foram embora. E todo o universo, sabendo daquela conversa, elogiou a misericórdia do Filho e soberano.

– Desde então, o Deus disfarçado de homem e carpinteiro ostentaria também o título de “Príncipe da Terra”.

Terminada a história, o Mestre desceu aos detalhes, revelando uma coisa que, com a passagem dos séculos, também acabaria distorcida.

Isso foi o que conseguimos perceber:

Tempos atrás, há muito tempo, numa minúscula região de seu universo (a nossa), teve lugar uma insurreição, mais ou menos parecida àquela exposta no conto. Melhor dizendo, no aparente conto.

Um velho conhecido dos seres humanos - Luzbel -, chefe dessa quase insignificante parcela da galáxia, levantou-se contra a ordem estabelecida, protestando contra o longo caminho exigido para se chegar ao Paraíso. Ele teria qualificado essa "caminhada" de "fraude total" duvidando até da existência de Abbã. A rebelião, contudo, não teve lá grande sucesso. Só 30 ou 40 mundos aderiram. A Terra foi um deles.

Muito bem, não querendo recorrer a métodos mais severos - aos quais tinha legítimo direito -, o magnânimo Filho Criador deste universo optou por encarnar-se e "camuflar-se" entre as mais modestas de suas criaturas. Justamente aquelas que habitavam num desses mundos rebeldes. E fez-se homem. E viveu como tal, anunciando aos infelizes súditos dos príncipes rebeldes onde estava a verdade e quem era Abbã.

Mas a natureza divina do humilde carpinteiro não passou despercebida dos chefes planetários que encabeçavam a rebelião. E dois deles - um alto representante de Luzbel e o próprio príncipe do mundo escolhido pelo Filho divino - acudiram à sua presença. E o fizeram naqueles dias de setembro e naquele lugar. Esta, provavelmente, foi a razão da súbita preocupação do Filho do Homem quando se afastou do mananeh.

Ele sabia o que o esperava na solidão dos montes nevados.

Sabia que estava a ponto de oferecer uma nova oportunidade para seus filhos desencaminhados.

E assim, dócil, submeteu-se aos interrogatórios e às propostas. Mas, como dizia o "conto", ele só se dobrou à vontade de seu Pai.

Por último, estes seres não materiais - criados pelo próprio Filho divino na luz e na perfeição - se retiraram derrotados.

E o universo de Jesus de Nazaré - segundo suas palavras - assistiu perplexo e comovido à "batalha dialética".

Naquele momento - e continuo transmitindo suas explicações - o Filho do Homem, por expressa vontade de Abbã foi investido como Príncipe deste mundo. Um título especialmente importante, segundo Ele.

A partir desse fato - afirmou -, a rebelião ficou "pronta para a sentença". Ao rejeitar, uma vez mais, sua misericórdia, a sorte de todos eles depende agora de "outras instâncias". E continua assim.

Vol.9 | Pag.614 | 09/07/0026

Rebelião dos Anjos

Depois Ele se referiu ao que aconteceu há milhares de anos, quando os 'illek (literalmente "eles") decidiram rebelar-se contra a ordem de Abbã. Alguma coisa nos contara no Hermon…

Também os chamou de lajcôr ("os que perguntam").

Por que eles se rebelaram?

Os discípulos se interessaram vivamente pelos anjos "rebeldes".

– Talvez tenham pensado demais…

A resposta do Galileu não convenceu Bartolomeu e muito menos Felipe.

– Pensar é ruim?

– Não, Bartolomeu, não é não… O que não é bom é pensar contra o estabelecido.

– E o que é isso?

– O Amor, com maiúscula. E esse Amor estabelece um ritmo e uma forma de progredir. Os lajcôr acreditaram que os humanos têm direito a utilizar atalhos…

E, nessa hora, eu também não entendi. Atalhos? De que estava falando?

O Mestre voltou a entrar em meus pensamentos e os leu.

– Eles decidiram que a trajetória do homem até a perfeição tinha que ser mais curta… Isso haveria alterado os planos de Abbã…

– E houve guerra?

Cada qual ia em seu próprio ritmo, como sempre e em todas as ocasiões. E o Zelote não era uma exceção.

– Não da forma como a imaginas, Simão… Não se derramou sangue, mas sim lágrimas.

– E o que aconteceu aos lajcôr?

– Estão ilhados e à espera de julgamento.

– E o que nós, os homens, temos que ver com essa rebelião? A pergunta de Simão Pedro foi muito oportuna.

– Tudo e nada…

Os discípulos aguardaram um esclarecimento.

– Vós sois vítimas, sem mais nem menos.

– Vítimas?

– Foram os responsáveis por este mundo que escolheram o caminho errado. Vós, os humanos, não tinham capacidade para saber, e muito menos para decidir de que lado estar…

E o Mestre, captando a inquietude geral, os tranquilizou:

– Tudo está sob controle. Os rebeldes foram apenas um punhado…

E o que acontecerá quando forem julgados?

– O mundo voltará à luz…

– Nós chegaremos a vê-lo?

– Sim, André, mas do outro lado… Tu e teus irmãos já não estarão aqui.

– Não estaremos em Nahum?

A pergunta de Mateus Levi fez o Mestre sorrir. A ingenuidade daqueles homens era comovente.

– Não, Mateus, não estarás em Nahum…

– Mas então… onde?

– Na metade do reino…

– Ah! Compreendo…

Não era bem assim. Nem Mateus nem o resto entenderam as palavras do Filho do Homem. Contudo, Jesus não remexeu no assunto. Não valia a pena.

Então falou aos discípulos sobre o acontecimento no alto da montanha sagrada, no Hermon… E o fez com expressões fáceis. Mesmo assim, nenhum deles captou a essência do que ele estava contando.

Jesus lhes disse que, não fazia muito tempo (no verão do ano 25), subiu ao Hermon e recuperou o que era seu: a divindade. Tinha 31 anos, recém-completados.

Os lajcôr souberam da existência daquele Homem tão singular, se apresentaram na montanha e o interrogaram. "Quem és? Por que estás aqui?" Jesus explicou quem era na verdade, e os lajcôr trataram de suborná-lo, oferecendo-lhe poder. "Só servireis ao único Deus." E os rebeldes rejeitaram a clemência do Homem-Deus. Foi nesse momento histórico que o Galileu foi proclamado o Príncipe deste mundo.

E Jesus acrescentou, com ênfase:

– Nenhum rebelde pode agora incomodar o homem…

Pedro não aceitou.

– Conheço muitos endemoniados. E estes também…

– Em verdade eu digo, Pedro, que o poder dos lajcôr sobre o mundo está terminado.

O discípulo continuou negando com a cabeça, e o Mestre fez a única coisa inteligente que podia fazer: deixou que ele acreditasse nos espíritos malignos.

Vol.9 | Pag.840 | 26/01/0027

– Mestre, o que são as estrelas?

Para a maioria dos judeus daquela época, o céu, ou raquia, era uma extensão "sem sentido", algo criado por Deus que não estava ao alcance do homem, tampouco ao alcance de sua compreensão. Algumas escolas rabínicas defendiam que o céu, especialmente à noite, era "a sacada dos mortos". Ali brilhavam as almas daqueles que tinham morrido e mereciam a recompensa divina. Toda vez que uma estrela cintilava, eles diziam, significava "eu estou aqui".

O próprio "urso" fez alusão a essas crenças, mas Tomé o interrompeu, rechaçando-as. O estrábico, como eu já mencionei, não acreditava em nada.

O Mestre interveio e repreendeu, amorosamente, Tomé.

– Nada é o que parece. A realidade não é o que tu pensas…

Aquilo finalmente ia ficar interessante.

– A realidade - prosseguiu o rabi – depende da mente do observador…

Nisso eu estava de acordo. E lembrei-me das ideias de Timothy Leary e sua defesa da cultura psicodélica: "O conceito de realidade depende de quem a observa". E assim nasceriam doutrinas como o idealismo, o anti-realismo ou o instrumentalismo. "Tudo o que vemos é pura construção mental."

E Jesus de Nazaré, percebendo que seus homens começavam a se perder, fez uso de uma imagem. Ele falou de um belo peixe azul, preso dentro de uma tigela de cristal. Os íntimos seguiam a narração com expectativa.

– Pois bem, imaginai a visão do mundo que tem esse peixe… Ela tem alguma coisa a ver com a vossa visão do mundo?

Alguns responderam negativamente. Outros não sabiam.

– E, ainda assim, as duas visões são reais…

E eles discutiram.

Até essa altura, ninguém tinha questionado sobre o ponto de vista de um peixe. Nem eu…

Jesus deixou que a discussão se esvaziasse. Então perguntou:

– Quem está certo: o peixe ou vós? Qual é a realidade?

Não souberam responder. Apenas o "urso" tentou dar uma resposta tímida:

– Ambos, rabi.

O mestre assentiu com a cabeça. E acrescentou:

– Em verdade vos digo, há tantas realidades quantas mentes existirem.

Tiago Zebedeu decidiu participar no diálogo, o que era raro:

– Isso quer dizer, Mestre, que o Pai, bendito seja seu nome, é uma realidade que nos rodeia?

Jesus olhou para ele com admiração. Não poderia defini-lo melhor.

– Algo assim, caro Tiago, algo assim…

– E onde vive esse Pai Azul? – perguntou Felipe, sem parar de servir a comida. – Porque se supõe que ele tenha uma casa…

O Galileu não respondeu ao intendente. Continuava pensando na pergunta de Tiago. E murmurou, quase que para si mesmo:

– Não foi a carne nem o sangue que te revelou esta verdade, Tiago, mas o meu Pai… Ele nos envolve, como o peixe é envolvido pelo mundo… Mas o peixe não sabe.

Felipe insistiu:

– Senhor, eu perguntava se Abbã tem uma casa…

– Uma casa?

– Sim, casa, como todos nós… Tu sabes, quatro paredes e um telhado…

– Claro, Felipe. Abbã tem uma casa, mas também tem milhões e milhões de outras casas…

– Como é isso? – indagou Mateus, intrigado. – Quer dizer que ele tem milhões de lares? Mas por que todo esse gasto?

Jesus sorriu, comovido.

– Cada mente é a casa dele, eu já te disse.

Ele estava se referindo à "centelha".

– Ele habita em vós desde os 5 anos de idade.

Felipe estava com essa ideia fixa:

– Mas como é a sua casa de verdade?

Jesus respirou fundo. Ele olhou para o céu estrelado e eu pensei que estava procurando as palavras. Que trabalho tão difícil e apaixonante ao mesmo tempo!

O "urso" tentou ajudar:

– Ele mora em uma dessas estrelas?

– Sim e não…

Tentou se explicar:

– Aquelas estrelas que tu estás vendo, e muitas mais, são o meu reino.

Todos ficaram boquiabertos. Não acreditaram nele. Mas Jesus insistiu, enfático:

– Eu já vos disse, meu reino não é deste mundo. Eu sou o Príncipe e o Criador desse grande império. Mas sou apenas um príncipe. Há milhares e milhares de príncipes, assim como eu. E cada um governa um reino diferente.

Eles estavam mudos. Eu entendi, ao menos a metade. Algo que nós conversamos antes. Ele, Jesus de Nazaré, é o Príncipe, Criador e Deus de um universo (poderíamos dizer que de uma galáxia: a nossa própria). Mas há milhões e milhões de galáxias, cada uma com um Deus. E acima dos milhares de príncipes e deuses teriam outros deuses, mais notáveis, como pode ser o caso do Pai (Abbã), do Filho e do Espírito da Verdade, entre outros. Se me é permitida a expressão, o Galileu, de acordo com esta hierarquia, não seria o Filho, tal como interpretado pela teologia, mas um dos "netos" de Abbã.

– Mas qual é a sua casa?

Felipe não se esquecia disso nem se estivesse preso e amarrado.

– Além, caro Felipe, há uma ilha…

O Mestre apontou o firmamento.

– Além? Onde?

Felipe e os outros seguiram a direção indicada pelo dedo indicador esquerdo de Jesus. Eu fiz a mesma coisa.

Ele apontava o céu noturno, mas os íntimos entendiam com dificuldade. Eles não sabiam nada do cosmos nem de sua natureza nem sobre as distâncias. Jesus fez o seu melhor…

– Por trás dessas estrelas – explicou (?) – no centro do universo dos universos, há uma ilha de luz. Abbã vive lá.

– O Pai é um náufrago?

A observação de Bartolomeu aliviou as tensões.

– De certa forma sim…

Jesus manteve o sorriso. Ele amava as questões do "urso".

– Mas como é essa casa? Tem portas? Tem janelas? Existe um jardim? Será que vamos chegar a ela algum dia?

Jesus pediu calma. As perguntas de Felipe estavam se acumulando.

– Eu não posso descrevê-la, da mesma forma que tu não podes descrever a tua realidade ao peixe azul.

Felipe pareceu desapontado.

– A minha palavra deve ser o suficiente. Ela é infinitamente melhor do que tu pensas…

– Então já foste lá na ilha…

– Sim, Bartolomeu, eu conheço o lugar. Ele existe. É tão real quanto esse fogo ou as árvores que nos abrigam. E todos chegarão a ela, em seu devido tempo…

– Quanto tempo?

– Quando tu morreres, deixarás de viver o tempo. Simplesmente chegarás lá…

– Todo mundo? Faça o que fizer? Sendo bom ou ruim? Cumprindo ou não os mandamentos?

A pergunta múltipla de Mateus foi muito oportuna.

Jesus se limitou a assentir com a cabeça. Ele esperou uns segundos e disse:

– Tu és imortal e, portanto, duplamente feliz…

Isso eu não entendi bem.

E foi nesse momento, tão animador e cheio de esperança, que percebemos aquele perfume no ar. Cheirava a terra úmida. Mas como poderia ser isso? Não tinha chovido. E então eu me dei conta. Ele estava transmitindo esperança e alegria. Ele cheirava a tintal…

Vol.11 | Pag.658 | 24/08/0029

As Sagradas Escrituras

– Mestre, qual é a verdade sobre as Sagradas Escrituras?

A verdade é que o Urso colocou o Filho do Homem em apuros. Mas o Rabi foi honesto, como sempre. E ele deu uma aula de história:

– Quando estavam no exílio na Babilônia, – explicou o galileu, – o povo judeu não tinha história escrita. Os persas fizeram. E o que aconteceu? Um personagem proeminente, chamado Esdras, convocou os anciãos do povo judeu e eles decidiram escrever sua história. Isso foi há seiscentos anos… Assim nasceram as Sagradas Escrituras… Mas nem todos esses anciãos eram santos…

– O que você quer dizer? perguntou o Urso.

O Galileu sorriu benevolentemente e esclareceu:

– As Sagradas Escrituras contêm verdades, mas também falsidades ou simples desejos dos homens que as escreveram. Os chamados livros sagrados não representam o Pai Azul.

O Urso, perplexo, apontou:

– Você está insinuando que as Sagradas Escrituras não são a palavra de Deus?

– Eu não insinuo…, eu digo. O Pai Azul não é Yaveh. Repito: esses textos foram escritos por homens, de acordo com seus interesses e circunstâncias. Mas, mesmo assim, tenha certeza de que eles constituem a melhor compilação da sabedoria religiosa da época.

E o Mestre – corajoso – foi mais longe:

– Muitos desses livros, caro Bartolomeu, não foram escritos pelas pessoas que você pensa… Mas isso também não importa. Isso não os torna menos luminosos.

– E o dilúvio? O Urso interveio. Foi também uma invenção humana?

– Sim, outra invenção… O Pai Azul nunca se arrepende do que faz. Por que ele se arrependeria de ter criado o ser humano?

– Isso é o que dizem os livros sagrados, – observou Bartolomeu, com razão.

– Não, meu filho… Os homens dizem isso, não o Pai Azul.

– Mas Noé…

O Galileu não permitiu que ele continuasse:

– Essa história do dilúvio foi copiada dos persas. Eles sofreram uma inundação dos rios Tigre e Eufrates. Não houve tal dilúvio universal… Leia o código de Hamurabi.

– E quanto a Adão e Eva?

O Mestre balançou a cabeça negativamente.

– Outra história muito falsa, resumiu. A verdade era mais espetacular.

Ele olhou para o rosto perplexo do Urso e disse, divertido:

– Por que é dito em Gênesis que Caim fugiu para a terra de Nod, a leste do Éden?… Se Adão e Eva foram os primeiros pais, quem foi Nod?

Ele estava certo. Isso é o que Gênesis diz (4:16). Eu não tinha percebido…

– E Jonas e a baleia?

O Urso continuou, incombustível. Jesus apenas balançou a cabeça novamente, e negativamente.

– E a cobra?

O Rabi riu com vontade. E o mesmo fizeram os evangelistas que acompanharam Bartolomeu.

– Não havia serpente, – declarou o Filho do Homem. – A verdade era mais interessante…

– Rabi, como teriam sido as Sagradas Escrituras se os autores tivessem sido mulheres?

Houve risos generalizados. Mas os evangelistas permaneceram sérios. Celta falou com o coração. Jesus pediu calma e, quando o silêncio se instalou, declarou:

– Teriam sido mais esclarecedoras… e com menos falsidades.

Vol.12 | Pag.232 | 30/09/0027

Conversa entre Jesus, Aba Saul e Jaiá sobre Luzbel e a Rebelião dos Príncipes

– Nosso professor, Melquisedeque, nos contou sobre ele… Disse que era uma estrela brilhante… Ele governou muitos e extensos territórios… Eles o chamavam — e o chamam — Luzbel.

O Galileu escutou, atento.

– Bem, então, – continuou o velho, – como pode uma criatura tão perfeita se rebelar contra o Altíssimo? …, bendito seja o seu nome.

O Mestre imediatamente respondeu:

– No coração dos perfeitos também há dúvida… Não se engane: a beleza pode levar ao erro.

Jaiá interrompeu o Rabi:

– Mas, quem era Luzbel?

Saul corrigiu sua esposa:

– Luzbel é… Ele ainda não foi julgado.

Jesus assentiu em silêncio. E Aba Saul continuou:

– Luzbel era um príncipe de grande beleza e poder. De acordo com Melquisedeque, seu reino incluía mais de seiscentos territórios.

Entendi que os domínios de Luzbel somavam mais de seiscentos mundos.

– Mas um dia, – explicou Aba Saul, – este príncipe começou a fazer perguntas a si mesmo…

O Galileu baixou os olhos.

–…O Altíssimo existe mesmo?… Será que os Deuses menores inventaram o conceito do Pai Azul para manter seu poder?…

O silêncio significativo do Mestre me fez entender que Saul estava falando corretamente.

– E Luzbel, – detalhou Aba Saul, – negou que houvesse um caminho para o Paraíso…

Jesus ergueu os olhos e me olhou intensamente. Seu rosto estava sério.

– …Luzbel, então, segundo nosso professor, exigia que seus seiscentos territórios fossem autônomos e independentes. E afirmou ainda que a ressurreição da alma é automática, não dependendo de nada nem de ninguém… E assegurou que o suposto caminho do ser humano rumo ao Pai Azul foi uma fraude total e vergonhosa…

Todos nós ouvimos, intrigados.

– Quando foi isso? Eu intervi.

– Melquisedeque disse que a rebelião de Luzbel e os outros ocorreu há duzentos mil anos…

Jesus assentiu em silêncio novamente.

– Os outros? – Jaiá perguntou. – Quem eram eles?

– Melquisedeque, – respondeu o marido, – falou sobre Satanás, tenente de Luzbel, e Caligástia, príncipe de nosso mundo, e Belzebu… No total, 37 príncipes rebeldes.

Eu entendi que a rebelião atingiu 37 mundos. Não foi muito, na verdade…

– E o que aconteceu? - Fiquei interessado.

– Luzbel se proclamou o Deus da liberdade e o amigo dos homens e dos anjos… Foi uma loucura.

E Aba Saul continuou:

– Luzbel prometeu aos príncipes que o apoiavam que governariam suas terras fora do hipotético poder central.

– Uau!… – Fiquei perplexo. – Luzbel inventou o nacionalismo.

– E o que Pai Azul fez? Jaiá perguntou inocentemente.

– Ele deixou a rebelião seguir seu curso… E a loucura durou dois anos… Depois disso, os 37 príncipes e suas terras foram cortados.

– Que queres dizer? A mulher perguntou.

– O que você está ouvindo. Esses territórios estão em quarentena. E assim eles continuam…

– E o que aconteceu com Luzbel e os rebeldes?

Aba Saul usou palavras que não entendi:

– Melquisedeque falou em "prisões espirituais"… Não sei o que ele quis dizer. E lá estão eles, aguardando julgamento.

Jaiá continuou perguntando:

– O que acontecerá se eles forem condenados?

– Serão aniquilados… Desaparecerão, como se nunca tivessem existido.

A velha pressionou:

– E se eles se arrependerem?

Aba Saul balançou negativamente a cabeça. Foi claro.

– Luzbel não é uma personagem que admite seus erros.

– Se eles se arrependerem, sentenciou Saul, "serão perdoados". Mas duvido que Luzbel, Satã e os demais aceitem algo assim… Seu orgulho os domina.

O Mestre acenou com a cabeça, ligeiramente.

– Houve batalhas?

A pergunta de Jaiá foi respondida por Galileu:

– Houve discursos… Luzbel falou e apresentou seus argumentos e Gav-Riel respondeu.

– Então, – argumentou a velha, – se o diabo está na prisão, qual é o seu poder sobre o ser humano?

O Rabi sorriu levemente e declarou enfaticamente:

– Nenhum…

E os endemoniados?

Jesus de Nazaré respondeu à pergunta de Jaiá com a mesma certeza:

– Não existem endemoniados… Só doenças mentais.

Aba Saul dirigiu-se ao Mestre e levantou um assunto de especial importância:

– Não entendo porque Luzbel e sua família não foram julgados. Duzentos mil anos se passaram… Não é hora de justiça?

Jesus olhou para ele com benevolência e declarou:

– A misericórdia é paciente…

– Isso quer dizer, – interrompeu Jaiá, – que eles serão perdoados?

O silêncio sentou-se ao nosso lado.

E o que acontecerá quando nosso mundo não estiver mais isolado?

O Galileu respondeu a Aba Saul com apenas duas palavras:

—Ór Gadol!!

Isso significava "Grande Luz".

Vol. 12 | Pag.185 | 09/10/0027

– Quem eram aqueles duzentos que desceram no Hermon?

O Mestre foi direto:

– Rebeldes ao serviço de Luzbel…

– Então, – acrescentou Raisos, – esses nomes…

– Anjos rebeldes, – Jesus simplificou.

Raisos apontou o dedo para mim e comentou:

– Meu amigo diz que você é um especialista na Torá… Posso confiar em suas palavras?

Eu fui em frente, convencido:

– Cem por cento…

O Galileu agradeceu meu apoio com um largo sorriso e respondeu ao anfitrião:

– Antes que eles fossem, eu sou.

Raisos foi a um de seus ditos:

– Aquele que se orgulha do que é multiplica sua honra…

E o “conseguidor” interveio novamente:

– Mestre, eu tenho uma pergunta…

Jesus riu, maravilhado. E perguntou:

– Só uma?

– Não importa o tamanho da peneira, – respondeu o lehasîg, – sempre haverá espaço para outra…

– Essa é a sua pergunta?

Desta vez foi Raisos quem riu.

– Não, Rabi… Minha dúvida é a seguinte: se Adão e Eva foram nossos primeiros pais, quem foi Nod?

O empreendedor, embora árabe, conhecia a Bíblia. Em Gênesis (4, 16) é dito que, depois de matar seu irmão, "Caim deixou a presença de Javé e se estabeleceu no reino de Nod, a leste do Éden". Raisos estava certo. Se Adão e Eva foram os primeiros, quem era esse tal de Nod?

Jesus olhou para o lesahîg com curiosidade. Raisos não mediu palavras. E o Galileu respondeu com a mesma franqueza:

– Adão e Eva não foram os primeiros…

As mulheres, perplexas, sussurravam entre si.

E Raisos, dirigindo-se a este explorador, exclamou, satisfeito:

– Eu gosto do seu amigo… Sua palavra dança ao som de sua mente.

Jesus então começou a contar uma história; em vez disso, um suposto conto.

– Há muito, muito tempo atrás, – falou o Filho do Homem, – os anjos do Senhor desceram sobre o mundo e causaram o aparecimento das plantas… E a terra se cobriu de vida…

Então encheram os mares com todos os tipos de peixes… Por fim, seguindo o conselho de Deus, favoreceram a multiplicação das aves e dos animais do campo…

Raisos e "as Verdes" acompanharam a história com expectativa. E a mesma coisa aconteceu com este explorador. Para onde ele queria ir?

–…E quando aqueles anjos acharam conveniente, – continuou Jesus, – aproximaram-se de um dos grupos de animais, semelhantes a macacos, e sussurraram palavras de vida nos ouvidos de um casal… Eram gêmeos muito jovens… A partir desses momentos, os irmãos "acordaram" e entenderam que não eram como os outros… Mais tarde, outros anjos sussurrantes se aproximaram deles e os dotaram de coragem, curiosidade, lealdade, generosidade e intuição…

Raisos ficou intrigado.

– …Uma noite, – continuou o Rabi, – os gêmeos tomaram uma decisão: eles iriam fugir… E assim eles fizeram… Eles se esconderam nas copas das árvores e se afastaram da tribo… E eles caminharam para o norte…

O Mestre olhou para nós, um por um. Era realmente uma história? Ficou claro para mim: aquela versão era mais lógica do que a narrada pelo Gênesis.

–…Desses gêmeos, – apontou o Rabi, – a raça humana nasceria…

Raisos respondeu com outro de seus provérbios:

– Sempre tem alguém que trai alguém…

E o empreendedor comentou:

– Claro, esses irmãos não se chamavam Adão e Eva…

– Naturalmente. – admitiu o Galileu.

– Mas então o que são as Sagradas Escrituras?

Jesus não se esquivou da pergunta de Raisos:

– Outra invenção humana.

O empreendedor foi a um de seus ditos e foi muito explícito:

– Uma bofetada não abre a cabeça, mas abre os olhos…

E Raisos aprofundou:

– Então nunca houve uma cobra e uma maçã…

– Nunca… A história, – revelou o Galileu, – era mais interessante e bonita do que o que lhe foi contado.

E Raisos sentenciou:

– Dez não podem ser nove e nove nunca serão dez…

A conversa sobre os gêmeos durou mais de duas horas. O que ouvi me deixou perplexo.

Nada era como eles contavam… Algum dia eu deveria criar coragem e escrever o que ouvi. Se algum dia…

– E o que mais você sabe? – O conseguidor perguntou.

Jesus fez uso de outro provérbio. E definitivamente cativou Raisos:

– Saber tudo, e dizer tudo, é deixar as coisas por fazer.

E o empreendedor respondeu imediatamente:

– Corajoso está sob a pele…

– Não, amigo, – respondeu o Rabi, – coragem também é silêncio.

– Você é linda, – respondeu Raisos, – porque você tem boas maneiras.

E o duelo de provérbios continuou:

– São os bons pensamentos, – advertiu o Mestre, – que o tornarão belo.

– Você é como a fonte que jorra, acrescentou o conseguidor. Você nunca vai apodrecer…

– Ninguém apodrece, – declarou Jesus, – se beber do Padre Azul.

Raisos levantou-se e proclamou:

– Eu reconheço a altura daquele que é mais alto que eu…

E o Galileu respondeu:

– O mais alto é aquele que menos parece.

– Você sabe que o que você vende, – interveio o procurador, – vende você?

Jesus sorriu, satisfeito. E declarou:

– Que se lembrem de você, amigo, pelo seu rastro de luz…

– Mas me diga, o que você está vendendo?

O Mestre respondeu à pergunta com uma única frase:

– Ter esperança!!

– A esperança, – lamentou Raisos, – enche a cabeça do tolo…

O Filho do Homem ficou sério:

– Não estou falando de esperança humana. Falo da esperança que habita no céu…

– Essa esperança, como uma mentira, atrai a esposa – interveio Raisos, – mas só a verdade a mantém ao seu lado.

As Verdes riram do novo ditado do chefe.

– Eu sou a verdade, anunciou Jesus. Verdade e esperança são a mesma coisa. Nenhum pode viver sem o outro.

– Eu não concordo, Raisos interveio. O sol, por mais quente que esteja, não consegue apagar as listras da zebra…

– A esperança de que vos falo – sentenciou o Filho do Homem – é infinitamente mais luminosa que o sol.

Vol.11 | Pag.634 | 15/08/0029

– Mestre, quem eram aqueles homens?

Jesus não sabia o que dizer. Percebi que ele estava resignado.

– O mais alto, – ele tentou explicar, – se chama Gav…

Ele fez uma pausa e repetiu o nome com cuidado especial, soletrando

– G-a-v… r-i-e-l.

– Gabriel? – João Zebedeu interveio.

O Galileu balançou a cabeça e insistiu:

– Gav-riel… Significa “Força de Deus” ou “Herói de Deus”.

Eu havia estudado esse assunto na Cabalá. "Gav-riel" ou "Gavriel" deriva de Geburah (força, bravura, heroísmo e rigor). Ele contém as três letras raiz (guimel, bet e resh). Geburah é "rigor": a quinta sephirah da Árvore da Vida, no Mundo da Emanação que se contrabalança com Chesed, misericórdia, e que influencia Hod (honra e glória) e que, junto com Binah (inteligência e compreensão) configura o pilar esquerdo da mencionada Árvore da Vida sobre o qual se baseiam nossas aptidões intelectuais e nossa capacidade de análise e síntese. O pilar direito, por outro lado, o da misericórdia, molda nossos sentimentos. Em outras palavras: Gav-riel (adoro o novo nome) seria o anjo (ou muito mais) da Compreensão e do Rigor.

– Eu o vi fora da sinagoga de Nazaré! Pedro gritou.

– Todos nós vimos isso, repreendeu João Zebedeu. Ele pegou o Mestre…

– Ele é o cara que entregou as sacolas, com 413 denários, para Zaku e Perpetua!

Pedro continuou, ignorando Zebedeu.

Lembrei-me do que Jasão escreveu. Este Gavriel (o homem com o sorriso encantador) apareceu nas casas de Pedro e Felipe, respectivamente, e deu o dito dinheiro às suas esposas. Ao fazê-lo, ele observou: "De Abbã e seu povo." A propósito, "413", na Cabalá, tem o mesmo valor que a palavra "sorriso"…

– E o outro? Tiago interveio.

– Seu nome é Akhterriel, – respondeu o Rabi, sabendo que isso não acrescentava muito.

– Ele pertence à ordem dos Melquisedeques. Eles são muito mais do que anjos.

Os estudos da Cabalá me ensinaram que o nome verdadeiro de Akhteriel ou Akhteriel era Metatron ou Sar Panim (Príncipe da Face). Ou seja, uma criatura celestial, intimamente ligada ao Nome do Deus Shadai El Chai. Um ser de tal brilho que pode ser confundido com a glória do Pai Azul. Seres como Ajte-riel, que vêm contemplar a Face de Deus, agem como espelhos ou lentes (Aspaqlaryá). Quando sentimos Sua presença, estamos percebendo a própria Glória de Abbã.

– Do que você estava falando? João Zebedeu interveio.

Jesus resolveu a interessante questão com três palavras:

– Do meu reino…

Ele não comentou mais. E Pedro estava interessado na língua estranha falada pelos três personagens resplandecentes:

– Que língua é essa?

– A língua do meu reino…

Deduzi que ele estava falando sobre a Via Láctea, nossa galáxia.

– Quando você for para o 'outro lado', – e ele olhou para mim, divertido, – você aprenderá essa língua.

Vol.11 | Pag.783 | 11/03/0030

– O reino dos céus, – proclamou ele, – embora invisível aos seus olhos, é tão físico quanto esta laranja.

E ele mostrou as frutas fornecidas pontualmente por Felipe.

– Se vocês entenderam minha mensagem (todos vocês são filhos do Pai Azul e, portanto, irmãos), vocês já estão nesse reino…

E ele continuou:

– Se você aceitar a realidade desse reino invisível e alado, seus corações flutuarão, finalmente… E o medo que acompanha o homem desde o início dos tempos desaparecerá… Medo é ignorância. Venha a mim… Eu sou a luz… Espalhe as boas novas onde quer que você vá: o reino já está em você… Preste atenção ao nitzutz!

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