Sobre Anjos e Outras Criaturas
Sobre Anjos e Outras Criaturas
As explicações de Jesus sobre suas criaturas, deixam claro que existem anjos, guardiões, e muitos outros seres que não podemos perceber.
Jasão sugeriu que há estudos da Nasa revelando a possibilidade de vida inteligente em 7 bilhões de mundos habitáveis.
Os diálogos revelam a existência de seres ascendentes e descendentes.
Os ascendentes, a maioria de nós, são criaturas passando pelas primeiras experiências da jornada existencial e que tem pela frente um longo caminho de evolução.
Os descendentes são seres mais evoluídos, podendo ser anjos ou deuses, criaturas que vem com a missão de trazer esperança, apontar caminhos ou consolar quem precisa.
Na condição de humanos limitados, não temos como saber se somos ascendentes ou descendentes, assim como não temos condições de reconhecer esta diferença naqueles que nos cercam.
Importante notar que Deus designa a cada um de nós um par de anjos guardiões que nos acompanham na jornada evolutiva até estarmos em presença Dele.
Como foi exaustivamente ensinado por Michael, a imaginação do Pai não tem limites e, por enquanto, não somos capazes de perceber este fervilhar de vida oculta à nossa volta.
Vol.6 | Pag.371 | 20/08/0025
Pergunta Eliseu:
– Conhecer de perto tuas criaturas. Viver e experimentar na carne. Mas, Mestre, que podes aprender de nós?
Meu companheiro, perplexo, continuou perguntando e se perguntando.
– O que pode haver de bom em seres tão mesquinhos, brutais, ignorantes, primitivos…?
O Galileu o interrompeu:
– Deus!
– Deus?
– Assim é – explicou Jesus acariciando cada palavra. – Essa é outra das razões, a maior razão pela qual desci até vós.
– Revelar Abbã. Lembrar a estas e a todas as criaturas do meu reino que o Pai reside, pes-so-al-men-te, em cada espírito.
Naquele momento, Eliseu não percebeu a importância da revolucionária afirmação do Galileu. E desviou-se:
– Outras criaturas?
Jesus, compreendendo, resignou-se. Sorriu benevolente e de novo assentiu com a cabeça num significativo silêncio.
– Mas como outras criaturas? Onde?
– Querido e impulsivo menino… Acabo de te dizer: estás no começo de uma venturosa caminhada em direção ao Pai. Algum dia o verás com teus próprios olhos. A criação é vida. Não reduzas o Pai às curtas fronteiras da tua percepção. E te direi mais: a generosidade de Abbã é tão incomensurável que nunca, nunca, chegarás a conhecer seus limites.
– Estás dizendo – manifestou o engenheiro incrédulo – que aí fora tem vida inteligente?
– Olha para mim. Me consideras inteligente?
Eliseu, aturdido, balbuciou um "sim".
– Pois eu, filho meu, procedo de "aí fora", como tu dizes.
Vol.6 | Pag.373 | 20/08/0025
– Essas criaturas, aquelas que dizes que também formam teu reino, são como nós? Precisam também ser lembradas por ti de quem é o Pai?
– Toda a criação vive para alcançar e conhecer Abbã. Essa é a única, a sublime, a grande meta… Alguns, como vós, estão ainda no princípio do princípio. Eles, não duvideis, estão atentos a este pequeno e perdido mundo. O que aqui está a ponto de acontecer os encherá de orgulho e esperança.
Estranhas e misteriosas palavras.
Vol.6 | Pag.374 | 20/08/0025
– Então, Senhor, tu andas por teu reino, por teu universo, revelando o Pai… Esse é o teu trabalho?
A capacidade de assombro daquele Homem não parecia ter limites.
Abriu os luminosos olhos e, comovido, respondeu:
– Sim e não… Entrar e fazer parte da vida de minhas criaturas, como eu te disse, é uma exigência para todo Filho Criador. Antes desta encarnação, por exemplo, fui anjo. E também me submeti voluntariamente à natureza de outros seres a meu serviço. Outros seres que tu, agora, sequer imaginarias…
– Tu foste um anjo? Mas, como?
– Filho meu, podes explicar aos homens deste tempo de onde vens e como o fazes?
Eliseu negou com a cabeça.
– Muito bem, deixa que o conhecimento e a revelação cheguem no seu devido tempo. Desfruta da maravilhosa aventura da ascensão ao Pai. Nada ficará oculto… mas tem fé. Aguarda confiante.
Vol.6 | Pag.435 | 07/09/0025
– Então reconheces que os anjos existem…
Jesus o contemplou assombrado.
– Quantas vezes terei que repetir isso? O reino de Abbã é um fervilhar de vida. Ou seja, existem!
– E em tal quantidade – respondeu o Mestre resignado diante da impetuosidade do engenheiro, – que não há medida na terra para somá-los.
– E como são?
– Por que não esperas para comprovar por tua própria conta?
– Ah!, então eu os verei quando passar para o "outro lado"…
– Ao "outro lado"?
– Já me entendeu, Senhor… Quando morrer.
– Claro, meu querido "ajudante". Isso é o estabelecido.
– Têm asas?
Eliseu, quando queria, virava um terremoto.
– Asas? Como os pássaros?
– Como os pássaros…
Jesus olhou-me e, suspirando, comentou derrotado:
– De onde tiraste ele? É sempre assim?
Concordei com um sorriso.
– Se queres imaginá-lo com asas… muito bem. Quando passares ao "outro lado", como tu dizes, vais ter uma surpresa.
Hesitou e, sem perder o sorriso, retificou:
– Ou melhor dizendo, um susto…
– São feios?
– Menos que tu, querido "destroça-patos"…
– Então são bonitos…
O Mestre voltou a me olhar e murmurou:
– Incorrigível! Maravilhosamente incorrigível!
E, tão resignado como Ele, concordei de novo.
– Bonitos? - insistiu meu amigo, percebendo que alguma coisa desencadearia as risadas do Rabi. – E não tem bonitas?
– Os anjos são criaturas de luz. Pertencem a essas "outras realidades" das quais te falei. Não dispõem de corpos físicos. Foram criados na perfeição e não sabem de sexos. São uma "realidade" muito parecida com a que vos aguarda no "outro lado"…
Interrompeu a explicação e, assentindo com a cabeça, falou consigo mesmo:
– O "outro lado"… Eu gosto da definição.
E se não têm sexo, como se divertem?
– Não sejas vulgar! - eu o repreendi.
– Não faz mal - disse Jesus. – Eu gosto de sua naturalidade… Filho meu, agora não estás capacitado para entender, mas existem outros prazeres imensamente mais intensos e gratificantes que o sexo. Eu te garanto que, no "outro lado", não vais ficar entediado…
– E esses seres de luz, cuidam dos humanos?
– Alguns sim. Não todos.
– O famoso anjo da guarda!
– Os famosos anjos, Jasão, no plural…
O comentário, logicamente, nos deixou confusos. E Eliseu o abordou:
– No plural? Quantos temos?
– Essas deliciosas criaturas são criadas sempre em duplas. São dois em um. Cada mortal que o merece, portanto, recebe um guardião duplo.
– E por que dois?
– Coisas de Abbã. Tu sabes, Ele tem muita imaginação…
Uma das afirmações não passou em branco para estes exploradores. E Eliseu e eu insistimos de novo na pergunta:
– Cada mortal que o merece? Que queres dizer com isso?
– Observai atentamente: sempre voltamos ao princípio. Sempre se volta à mensagem chave: colocar-se em suas mãos, fazer sua vontade, desencadeia uma força avassaladora e magnífica.
– Muito bem, o homem toma essa suprema decisão, uma dupla de serafins é destinada imediatamente à guarda do pequeno Deus. E o acompanhará até a presença do Chefe… e mais adiante.
– Um momento – gritou o engenheiro desconcertado.
– E o que acontece com os que nunca quiseram… ou, até, não puderam fazer sua essa grande decisão?
– Meu Pai, eu também te disse isso, tem outros métodos e caminhos. O Amor não distingue. Vós quisestes saber uma coisa concreta e eu já respondi.
– Vamos ver - intervim, tentando ser o mais preciso e certeiro possível. – Isso quer dizer que uma mente subnormal, por exemplo, se acha indefesa?
O Mestre, lendo meu coração, se apressou a negar com a cabeça.
Adotou um tom mais grave e esclareceu:
– Não, filho meu. Dessas criaturas cuidam especialmente os anjos a serviço de Abbã.
E sublinhou com ênfase:
– Especialmente!
– Em outras palavras – arrisquei, – ninguém fica sem proteção.
– Querido Jasão, o dia em que descobrires até onde chega o Amor do Pai, essa reflexão te deixará constrangido.
– Mas, Senhor, não entendo. Se toda criatura humana é guardada e vigiada, que significado tem essa dupla de anjos que aparece quando se toma a decisão de fazer a vontade de Abbã?
– Muito simples. Eu te disse que o Amor é dinâmico. Se tu prosperas, o amor prospera…
Vol.9 | Pag.614 | 09/07/0026
Jesus falou em primeiro lugar da natureza dos anjos. Disse que eram incontáveis. Eles não têm aspecto humano. São luz. E insistiu: "luz inteligente e bondosa".
– Eles são criação do Pai e são eternos. Não sabem viver sozinhos. São criados em pares. Às vezes abandonam seu estado e aparecem no tempo e na matéria. "Pura experiência…"
Guardou silêncio por alguns segundos e acrescentou:
– E nascem como um ser humano normal e comum…
Não captaram a sutileza do Filho do Homem.
– Os anjos são o que vós sereis depois da morte…
E enumerou algumas das funções dessas (para nós) incompreensíveis criaturas:
– São sussurradores…
Pareceu a mim uma aproximação à verdade de forma bem didática. Segundo o Mestre, eles acompanham o ser humano desde o princípio da história. São os que "sussurram" piedade, ternura, poesia, beleza, senso de valor ou medo…
– São os que lêem nosso Destino.
O "urso" não conseguiu se conter e interrompeu Jesus:
– Se não têm aspecto humano, como eles são?
O Galileu apontou as chamas que bailavam diante do grupo e declarou:
– Imagina que esse fogo pudesse pensar…
– Sim, Mestre, imagino.
– Pois é isso…
E acrescentou:
– O invisível pensa mais do que o visível…
Vol.9 | Pag.802 | 12/01/0027
Seres Descendentes
– Agora, meus amigos, já não sois mais como os demais… Agora vós sois os embaixadores de um reino invisível e alado… Deveis vos comportar como tais… Sois como esses seres maravilhosos que conhecem a glória do Pai e, sem dúvida, renunciam a ela e comparecem ao auxílio das criaturas do tempo e do espaço…
Fiquei atônito. Jesus falava dos seres descendentes, um dos temas das conversas que ainda não havia revelado…
Procurou-me com o olhar e deu uma piscadela de cumplicidade. Seres descendentes. Seres que têm tudo, que vivem na perfeição e que não obstante aceitam "descer" até a matéria… Para socorrer, aliviar e guiar muitos… Operação "Misericórdia".
Algum dia eu tenho que relatar, com detalhes, o que foi conversado com o Filho do Homem sobre esse tema em particular…
Vol.11 | Pag.129 / 06/02/0028
Yu narra para Eliseu uma conversa de Jesus com Hipias
– De onde eu venho, Mestre?
– Da imaginação do Pai Azul…
E Jesus forneceu alguns detalhes, mas nenhum dos presentes — incluindo os chineses — os entendeu.
– Neste mundo, – disse o Rabi, – existem dois tipos de pessoas…
– Bom e mau, Hípias se adiantou.
– Não, – Jesus o corrigiu, – seres que ascendem (a maioria) e seres que descem.
Estávamos pensativos, disse Yu. Do que ele estava falando? Descobriríamos em breve.
– Os primeiros, os ascendentes, – continuou Galileu, medindo suas palavras, – são imaginados por Abbã pela primeira vez. É aqui que eles nascem. Eles têm um longo, muito longo caminho pela frente. Seu destino final é o Paraíso…
Ele fez uma pausa e olhou para nós, divertido. Ele continuou:
– Ou melhor… Seu fim está além do Paraíso.
Nós nos perdemos, disse Yu.
– Existe algo após a morte e após o Paraíso?
– Quanto aos seres descendentes, – acrescentou o Mestre, – você também não está em posição de entendê-lo. Eles são como anjos.
O Rabi hesitou, disse o chinês. As palavras não o ajudaram.
– Outros são deuses…
Olhamos para ele, perplexos.
– Deuses que buscam experiência ou que desejam provar a imperfeição…
– Mas como é isso? André interveio, tão confuso quanto o resto.
– A matéria, o lugar onde você está vivendo agora, é pura imperfeição. Foi assim que foi imaginado pelo Pai Azul. Pois bem, os Deuses que acompanham o Pai, por muitas razões, decidem descer à imperfeição e prová-la. Eles provam o tempo, a dor ou a solidão. Outros entram no mundo com missões específicas: trazer esperança, abrir mentes ou apontar o caminho… É a misericórdia que desce.
– Você quer dizer, – perguntou Tiago de Zebedeu, – que entre nós, camuflados, existem deuses?
– Deuses e príncipes, arredondou o Galileu. Mas você não está em posição de descobri-lo. É a lei do reino do meu Pai.
E Jesus foi mais longe:
– Eu sou um desses deuses… Eu nasci no mundo para remover o véu do medo. Estou aqui a pedido do Pai Azul. Eu sou seu enviado.
As dúvidas voltaram, disse o chinês. Jesus estava dizendo que Ele era um Deus encarnado. As pessoas fizeram caretas.
Vol.11 | Pag.662 | 13/09/0029
– Tenho outras ovelhas, – explicou ele para sua surpresa geral, – que não são deste aprisco. Minhas palavras, portanto, não são (apenas) para este mundo…
Eu entendi imediatamente. Jesus estava obviamente se referindo a outras civilizações não humanas. Mas Tiago e seu povo não entenderam. Era lógico. Eles não podiam imaginar que houvesse vida inteligente no espaço. E Tiago - confuso - perguntou:
– Mestre, onde estão essas ovelhas? Talvez em Roma?
O Rabi balançou a cabeça. Ficou claro que era muito difícil chegar perto da verdade. Então ele olhou para o céu e apontou para as oito mil estrelas visíveis. Mas eles também não entenderam. E ele continuou, quase para si mesmo:
– No reino invisível e alado há muitas moradas. Nossos irmãos moram lá. Essas ovelhas também conhecem a minha voz… E eu prometi ao Pai Azul que todas aquelas ovelhas serão conduzidas à mesma irmandade espiritual…
Um dos jovens evangelistas estava interessado:
– Rabi, quantas ovelhas há no teu reino?
E o Mestre desenhou novamente no chão. Com o dedo indicador esquerdo, ele traçou uma palavra em hebraico: êin sof (infinito). Ou seja: "sem fim".
E lembrei-me dos estudos secretos dos militares dos EUA — e da NASA — sobre a possibilidade de vida no universo (ou devo falar sobre os sete superuniversos): sete bilhões de mundos habitados ou habitáveis!!
– Existem mais mundos como este? Tiago interveio.
O discípulo usou a palavra yabbesăh ("terra" ou "mundo" em aramaico, embora naquela época o conceito de esfericidade para a terra não fosse compartilhado pela maioria). E Jesus repetiu:
– Êin sof! …
– …E saiba que lutarei pelas criaturas que vivem nessas outras habitações… O Pai sabe que não abandonarei as minhas ovelhas… O Pai sabe que eu daria a minha vida por eles…
Ele fez uma pausa, olhou para os seguidores e entendeu: eles não entenderam. Mas ele continuou, com uma voz vibrante:
– E lembre-se, se eu der minha vida por você, vou recuperá-la… Você não pode entender o que estou dizendo, mas garanto que recebi essa autoridade de Abbã antes que este mundo existisse…
Vol.11 | Pag.696 | 25/10/0029
– Conte-nos sobre os paraš (anjos), o Urso o encorajou.
O Mestre, Jasão e eu havíamos tocado no assunto durante nossa estada no Hermon, no verão de 25. Mas eu prestei atenção. Aquele Homem foi uma caixa de surpresas. Yu escreveu e escreveu, perplexo.
– Os anjos, – explicou Galileu com santa paciência, – são criaturas preciosas, criadas pelo Pai Azul em total perfeição. Eles realizam inúmeras obras. Eles vão, eles vêm, eles cuidam dos homens…
– E sobre as mulheres? Tomé interrompeu.
O riso tornou-se generalizado. Mas os evangelistas franziram a testa.
– Para Abbã, – continuou o Mestre, – não há distinções.
– Para mim, sim, murmurou o incorrigível Tomé. E ele fez um gesto com as mãos, simulando seios femininos.
O Galileu não o viu e continuou falando:
– …Cada homem e mulher recebe um par de anjos da guarda, que os acompanharão nesta vida e após a morte.
O Rabi desviou o olhar e me procurou. E ele arredondou:
– Alguns até têm mais de dois guardas…
Caramba! Eu não os mereço…
Maria, a de Madalena, levantou a voz e comentou.
– Bem, alguns guardas estão muito distraídos…
Apenas as mulheres, os chineses e eu entendemos o duplo significado das palavras “A”.
– E por que dois anjos? André estava interessado.
– Na realidade, é apenas um. – esclareceu Jesus, embora com dificuldade.
– Ao imaginar um paraš, o Pai Azul torna realidade uma criatura dupla… Um único anjo com duas mentes.
Eles não entenderam, e nem eu. Mas o que isso importava?
– E nós, disse Nasanta, a mulher negra, – algum dia seremos anjos?
– À medida que progredirdes na corrida para o Paraíso, – respondeu Jesus, – vos tornareis mais semelhantes a eles… E um dia você será muito mais do que um paraš.
– Existem anjos negros? João Zebedeu zombou.
– Os Paraš não são pessoas, – esclareceu Galileu.
– Eles são seres espirituais. Eles não têm forma humana. Eles não precisam comer… Eles não se reproduzem.
– Que chato! Tomé lamentou.
O Galileu não prestou atenção à piada vesga. E ele continuou:
– …São criaturas que cumprem mandatos e missões especiais… Além disso, como eu disse, eles cuidam dos humanos.
– Mas como eles fazem isso? Eles voam como pássaros? Eles têm asas?
A pergunta do Celta interessou a todos nós.
– Alguns fazem: eles voam, mas não têm asas, – disse o Galileu.
– Outros podem estar em vários lugares ao mesmo tempo…
Felipe gritou novamente:
– Eles lavam e cozinham?
Os íntimos vaiaram o intendente. André rogou calma, e o rabi se entreteve em explicar algo que me pareceu fascinante.
Ele chamou de "enserafinização" (ou algo parecido). O anjo – todo luz – acolhe em seu interior a alma humana ou a criatura espiritual que deve transportar, por exemplo, da Terra para MAT-1. E a alma "viaja" protegida pelos espaços…
Nossa!! Aquilo me soou a ficção científica.
– Eles são mulas de carga! Tomé atacou.
E João Zebedeu o chamou de "burro". Jesus, então, especificou:
– Tomé, os anjos são criaturas encantadoras. Amor puro. Luz pura. Inteligência pura. Existem milhares e milhares de tipos. Quando você os vir, depois do doce sono da morte, você ficará surpreso. A imaginação do Pai Azul não conhece limites…
– Mais bonita que Isabel? O Urso perguntou. A mulher ficou vermelha.
– Diferente. – disse o Rabi, sorrindo para a bela divorciada.
– E todos os anjos são leais ao Pai Azul? Simão, o zelote, perguntou.
– A maioria deles… Mas sempre há alguém que não tem noção.
André mexeu a lenha do fogo e aproveitou para perguntar:
– Quero dizer, os anjos estão nos espionando.
– O Pai Azul não precisa disso, disse o Mestre. Ele vive em sua mente, lembra? Mas os paraš, como eu disse, cumprem missões especiais. Eles levam mensagens para as habitações mais distantes. Eu também falei sobre as outras habitações…
– Uau! O intendente interveio. – Eles são os garotos de recados!
– Não, Felipe, nunca julgue… Sobre tudo o que você não sabe.
E a bela Milca, aquela de olhos oblíquos, interveio:
– Mestre, pode um anjo tornar-se homem ou mulher? Houve silêncio.
– Claro, disse o galileu por fim. Alguns desses paraš desceram e continuarão a descer a este mundo…
– Mas por quê? Milca insistiu.
O Rabi olhou para mim novamente. As mulheres notaram o olhar.
A partir desse dia, a Isabel tratou-me de forma diferente…
– Missões especiais… Acabei de explicar, – disse o Galileu.
– Esses anjos se tornam mulheres ou homens para cumprir um mandato do Pai Azul ou uma ordem minha…
– E ninguém percebe? O Urso interveio.
– Quase ninguém… Aparentemente, eles são seres humanos como todos os outros.
Jesus hesitou por um momento e continuou:
– …Quase todos eles são extraordinariamente generosos e discretos. Eles chegam em silêncio, fazem seu trabalho e saem em silêncio.
Estava claro para mim. Eu não era um daqueles paraš… Eu era? E a reunião durou até tarde da noite.
Vol.8 | Pag.378 | 14/01/0026
Esclarecimentos de Jasão sobre K: a criatura perfeita
K, ou "Kui", era uma criatura perfeita, imaginada pelo Pai Azul. Hoje a identificaríamos com um anjo, mas, a julgar pelas palavras do Mestre, era muito mais. Não importa. Eu imaginei a minha maneira, e Ele assentiu. Por muito que pudesse acertar, sempre ficaria atrás. "K" não era varão, nem tampouco fêmea. Era, simplesmente.
Reunia em sua natureza -não material- tudo o que possamos estimar como complementar: luz e ausência de luz, som e silêncio, realidade e promessas, eu e você, um que produz dois, a fonte que emana para o exterior e, sobre tudo, para o interior, o haver e o não haver, o áhab que se basta a si mesmo, mas que não pode deter-se, fechado-o, que só pode ser concebido se estiver aberto, a quietude e a aspiração, o que atua sem atuar, amarrado-o e o instintivo, a metade de cada sonho, a liberdade e o Destino, quão iminente nunca é o que vemos que, a sua vez, vê-nos, pensar e ser, o vermelho do "adeus" e o azul do "vamos"…
O insistiu no término qéren, que poderíamos traduzir por dual ou dualidade. "K", em definitiva, seria o que hoje entendemos como um ser (?) com a propriedade de apresentar, ou possuir, dois estados diferenciados e, inclusive, opostos, e muito mais…
Mas um dia (?), "K" descobriu que existem o tempo e o espaço, aos que jamais teve acesso. Sentiu curiosidade e quis experimentar. E apareceu ao tempo. Então ocorreu algo novo: "K" se dividiu em dois. Uma parte se fez mulher; a outra apareceu como um varão. Eram as regras do jogo. Se desejava viver no tempo -quer dizer, na imperfeição-, tinha que aceitar a nova dualidade ( sempre vive no "Dois"). E muito a seu pesar, "K" mulher, e "K" homem, seguiram rumos distintos. Às vezes coincidiram e vibraram, mas os encontros foram breves, e a vida terminou distanciando-os. Ela o tem saudades, e ele, a sua vez, mantém-na viva em seu coração, mas nenhum dos dois conhece o segredo de "K". O jogo proíbe a reunião definitiva, ao menos nos mundos materiais. Ele vive, e ela vive igualmente, e experimenta. Ela cresce, e ele cresce. Ela o ama, e ele a ama, mas não sabem por que. Ignoram que foram, e serão, "K". E chegará o momento no que mulher e homem retornarão a sua primitivo estado -a forma espiritual- e serão "K". Então, a seu áhabah natural, terá sido acrescentada a vivência humana, o amor, com minúscula.
-Todos serão "K" algum dia. A isso vim: para lhes anunciar a esperança. Em realidade, a vida é um sonho…, passageiro. Quando chegar o momento, você, ela, todos, recuperarão o que, legitimamente, é seu…
E pôs especial ênfase na palavra "legitimamente".