Sobre Fé, Confiança e Revelação
Sobre Fé, Confiança e Revelação
“Crer no Evangelho” é um termo que normalmente denota uma fé na doutrina católica, baseada principalmente nos ensinamentos do Novo Testamento com os livros de Mateus, Marcos, Lucas e João.
Esta série nos mostra que as lições de Michael foram muito mais profundas e com muito mais sentido do que aquelas relatadas pelos Evangelistas.
Então a referência feita aqui a respeito da fé no Evangelho é direcionada à verdadeira mensagem de Jesus, e não àquela difundida pela Igreja Católica.
A mensagem, basicamente, é baseada em “colocar nossas vidas nas mãos do Pai”, entender que a vida é um presente e uma oportunidade de evolução e, principalmente, que somos imortais.
Colocar a vida nas mãos de Deus é um exercício diário, um estilo de vida, um ato de vontade e confiança, que nos traz lucidez e serenidade, direcionando-nos cada vez mais em direção à nossa própria Centelha.
E esse contato direto com a Centelha, com Deus, é que irá nos deixar preparados para as “revelações” superiores: um sentimento que chega de repente, um presente de Deus, um entendimento mais pleno do nosso papel, que só chega quando estamos preparados para recebê-lo.
Vol.1 | Pag.224 | 04/04/0030
Pergunta Tomé:
– Posto que vais voltar para terminar o trabalho do reino, qual deve ser nossa atitude enquanto estiveres fora, nos assuntos do Pai?
Jesus, sentado do outro lado da fogueira, espevitava o fogo com um pedaço de pau. As altas chamas davam a seu rosto uma estranha majestade. Com invejável paciência, o Nazareno fitou Tomé por cima das labaredas e respondeu-lhe:
– Nem tu, Tomé, consegues compreender o que venho dizendo. Não vos ensinei que vossa relação com o reino é espiritual e individual? Que mais devo dizer? A queda das nações, a ruptura dos impérios, a destruição dos judeus descrentes, o fim de uma época e mesmo o fim do mundo, que tem tudo isso a ver com alguém que crê neste Evangelho e que assegurou a proteção de sua vida na segurança do reino eterno? Vós todos que conheceis Deus e acreditais no Evangelho já recebestes a segurança da vida eterna. Uma vez que vossas vidas estão nas mãos do Pai, nada vos deve preocupar. Os cidadãos dos mundos celestiais, os construtores do reino, não devem se preocupar com os abalos temporais ou se perturbar com cataclismos terrestres. Que vos importa que as nações desapareçam, as épocas acabem ou todas as coisas visíveis caiam, se sabeis que vossa vida é um presente do Filho e está eternamente segura no Pai? Tendo vivido a vida temporal com fé e tendo entregue os frutos do espírito como prova de serviço por vossos semelhantes, podeis olhar adiante com confiança.
Cada geração de crentes deve levar adiante sua obra com vistas ao possível retorno do Filho do Homem, exatamente como cada crente em particular leva adiante sua vida com vistas à inevitável e sempre iminente morte natural. Quando vos tiverdes estabelecido como Filhos de Deus, nada mais vos deve preocupar. Mas não vos equivoqueis! Esta fé viva evidencia cada vez mais os frutos daquele divino espírito que foi iluminado pela primeira vez no coração humano. O fato de haverdes aceitado ser filhos do reino celestial não vos poupará de conhecer o repúdio persistente dessas verdades que têm a ver com os progressivos frutos espirituais dos filhos encarnados de Deus. Vós, que haveis estado comigo nos assuntos do Pai na Terra, podeis até abandonar agora este reino. Se virdes que não vos agrada a forma de a humanidade servir ao Pai, como indivíduos e como crentes, ouvi enquanto vos conto uma parábola…
–…Houve certo homem – prosseguiu o Nazareno – que, antes de partir para uma longa viagem a outro país, chamou cada um de seus servidores de confiança e a eles entregou todos os seus bens. A um, deu-lhe cinco talentos, a outro, dois, ao terceiro, um. Aos três confiou seus bens de acordo com suas diferentes habilidades. Quando o senhor partiu, seus servidores começaram a trabalhar para tirar benefícios da fortuna que lhes havia sido confiada. Imediatamente, o que recebera cinco talentos passou a comerciar com o capital e rapidamente auferiu um lucro de outros cinco talentos. De igual modo, o que havia recebido dois talentos ganhou logo outros dois. E assim fizeram os servidores, com exceção do terceiro. Este saiu, fez um buraco na terra e ali escondeu o talento. Mas o amo voltou inesperadamente e chamou seus servidores. O que havia recebido cinco talentos adiantou-se até seu senhor e, entregando-lhe os dez talentos, disse-lhe: “Senhor, deste-me cinco talentos e me apraz apresentar-te outros cinco”. Disse-lhe então o senhor: “Bem trabalhado, fiel e bom servidor; eu te farei capataz de muitos”. O que havia recebido dois talentos avançou e disse: “Senhor, entregaste em minhas mãos dois talentos. Vê, ganhei outros dois”. E disse-lhe o amo: “Bom trabalho, leal servidor. Tu também foste fiel e agora te darei um posto acima dos outros”. Por último, chegou o que havia recebido um só talento. “Senhor”, disse, “eu te conhecia e percebi que eras um homem astuto porque esperavas lucros quando tu, pessoalmente, não havias trabalhado. Por isso eu temia arriscar o que me havias confiado. Guardei teu dinheiro a salvo na terra e aqui está ele. Agora tens o que te pertence”. Mas seu senhor respondeu: “És um criado indolente e incapaz. Por tuas próprias palavras confessas que sabias que eu iria pedir prestação de contas de um lucro razoável, como teus companheiros fizeram. Sabendo disso, deverias ao menos ter colocado meu dinheiro nas mãos dos banqueiros, para que, na minha volta, eu pudesse recobrar meu dinheiro com algum rendimento”.
– E então o senhor disse ao chefe dos criados: ‘Tira o talento deste servidor e o entrega ao que tem dez’.
– A todo aquele que tem, lhe será dado muito mais e ele terá abundância. Mas, ao que não tem, até o pouco que tenha lhe será tirado. Não vos podeis conservar omissos nos assuntos do reino eterno. Meu Pai exige que todos os seus filhos cresçam na graça e no conhecimento da verdade. Vós, que conheceis essas verdades, deveis incrementar os frutos do espírito e manifestar uma devoção crescente no generoso mister de servir a vossos companheiros. E recordai que o que derdes ao mais humilde de meus irmãos o tereis feito a meu serviço.
– E assim deveis fazer a obra do Pai, agora e mais adiante. Continuai até que eu venha.
– A verdade é a vida. O espírito da verdade sempre dirige os filhos da luz para novos reinos de realidade espiritual e serviço divino. A verdade não vos é dada para que a cristalizeis em formas feitas, seguras e honoráveis.
– Que pensarão as gerações futuras daqueles depositários da verdade se elas os ouvirem dizer: ‘Aqui, Mestre, está a verdade que nos confiaste há centenas ou milhares de anos. Não perdemos nada dela. Preservamos fielmente tudo que nos deste. Não permitimos mudanças no que nos ensinastes. Aqui está a verdade que nos deste?’.
– Livremente haveis recebido. Portanto, livremente deveis dar a verdade do céu. Em verdade, em verdade vos digo que então essa verdade se multiplicará e irradiará nova luz. Até mesmo quando vós mesmos a administreis.
Vol.3 | Pag.352 | 22/04/0030
– E todas essas coisas – ponderou Eliseu com melancolia – por que não são reveladas claramente? Os homens talvez encontrassem um verdadeiro sentido para sua vida…
– Meu filho, é conveniente que os homens não recebam uma revelação excessiva…
Aturdido, quase indignado, Eliseu protestou.
– Isso – prosseguiu o Mestre com absoluta calma – asfixiaria a imaginação. O progresso exige que a individualidade se desenvolva. A mediocridade busca perpetuar-se na uniformidade. Fora do contato com o Pai Universal, nenhuma revelação poderá jamais ser completa. Porque vosso mundo ignora geralmente a origem das coisas, mesmo as físicas, tem-se julgado conveniente dar-lhe, de quando em quando, noções de cosmogonia, mas isso sempre provocou confusões. As leis que governam a revelação limitam grandemente porque proíbem, como ocorre agora a vós, a transmissão de conhecimentos imerecidos ou prematuros. A revelação é uma técnica que permite economizar séculos e séculos de tempo no trabalho indispensável de seleção e análise minuciosa dos erros da evolução, a fim de extrair as verdades adquiridas pelo espírito…
Vol.6 | Pag.370 | 20/08/0025
E durante um longo tempo desceu aos detalhes, explicando o porquê de sua presença neste mundo.
Pelo jeito - segundo disse -, era essa a vontade de seu querido Abbã, seu Pai Celestial. Ele, como Filho de Deus, devia viver, conhecer e experimentar de perto a existência terrena de suas próprias criaturas. Isso era o estabelecido.
Esse requisito era vital e imprescindível para alcançar a absoluta e definitiva soberania como Criador de seu universo… Esse, em resumo, era o preço para conseguir a definitiva entronização como rei de sua própria criação.
Percebendo nossa perplexidade arrematou:
– Não vos atormenteis. Estais no princípio de uma longa travessia em direção ao Pai. Por ora deve bastar-vos minha palavra.
– Então, se bem entendi - atacou o engenheiro -, tu és um Deus… "camuflado".
O Mestre, apanhado de surpresa, riu com vontade. Não havia dúvidas. As perguntas ingênuas e aparentemente infantis de Eliseu o fascinavam:
– Um Deus escondido… Sim, por enquanto…
Deu uma piscadela e acrescentou:
– E vos direi mais. Embora tampouco seja fácil de assimilar, de acordo com os desígnios de Abbã, outro dos objetivos desta experiência humana consiste em "viver" a fé e a confiança que eu mesmo, como Criador, solicito de meus filhos com respeito a esse magnífico Pai.
E sublinhou com ênfase:
– Viver a fé e a confiança…
– Mas, não entendo… Por acaso não tens fé?
De novo Ele dobrou-se às risadas e, quando conseguiu se recompor, esclareceu:
– Meu querido anjo… eu sou a fé. Mas, ainda assim, convém provar isso…
– Uma experiência… - murmurou quase que para si próprio o cada vez mais desconcertado Eliseu. - Tua encarnação neste planeta obedece a isso, à necessidade de experimentar.
– É o plano divino. Só assim posso chegar a ser realmente e intimamente misericordioso.
Vol.6 | Pag.423 | 31/08/0025
Não pude nem quis silenciar meus pensamentos.
– Como estamos equivocados! Em nosso mundo existem muitos que se consideram donos dessa verdade… a começar pela ciência.
O Mestre assentiu com a cabeça. E começou a repetir o que havia exposto na noite anterior.
– Estão enganados. Ai daqueles que tentarem monopolizar a verdade! Seu fanatismo os tornará cegos. Quanto à ciência, querido Jasão, não te desesperes. Algum dia descobrirá que é só uma valiosa companheira de viagem…
– De viagem. De quem?
– Da fé.
– Isso é engraçado - desafiou o engenheiro. - Sempre achei que a fé era cega.
– Não, são os homens que a tornam cega. A confiança no Pai, nessas outras realidades que vos aguardam, deve ser razoável e científica… até onde for possível. A ciência, pouco a pouco, controlará e compreenderá o universo no qual agora vos moveis.
– E confirmará o tesouro de vossa experiência pessoal, adquirido com vosso próprio esforço e de forma solitária. E chegará o dia em que a revelação, essa revelação, dará a mão a ambas: à fé e à ciência.
– Um momento, Senhor, então a fé e a revelação não são a mesma coisa?
– Não, Jasão, não são a mesma coisa. A fé… eu gosto mais da palavra confiança, é um ato que depende da vontade. A revelação é um presente do Pai. E chega sempre no momento oportuno.
– Não entendo isso. Sempre ouvi e li que a fé, perdão, a confiança, é um dom de Deus…
O Mestre sorriu com benevolência.
– Eu sei, Jasão, eu sei… No futuro, muitas das minhas palavras e atos serão mal interpretados e, pior ainda, manipulados. Se fosse como dizes, se a confiança em Abbã fosse o resultado de uma graça divina, alguma coisa falharia nos céus. Por que para uns sim, para outros não? Isso não é justo. Esse não é o estilo do "Barbudo". Eu repito: descobrir o Pai, confiar nEle, colocar-se em suas mãos e aceitar sua vontade depende unicamente, unicamente!, do homem.
– Mas antes, Senhor, é preciso perceber…
– Exato, querido "ajudante". Por isso estou aqui.
O engenheiro murmurou quase para si próprio:
– No fundo é fácil. Tudo consiste em dizer: "sim, quero".
– Não… É melhor dizer "sim, aceito". Aí então, ao despertar para a nova, a verdadeira vida, essa confiança te fará razoável. Depois, após a morte, tua própria experiência te fará sábio. Por último, quando entrares em "outras realidades", quando fores um "homem-luz", quando te apresentares diante do teu querido "Barbudo", então, querido amigo, sentirás como a verdade te roça e te beija…
– Então…
– Sim - murmurou o Filho do Homem, acariciando as palavras, – só então…