Sobre a Igreja, as Religiões e a Ciência

O autêntico buscador da Verdade acaba percebendo que as religiões são apenas um obstáculo para encontrar Deus. Não há necessidade de intermediários na busca pela Centelha que, em realidade, está em nós mesmos e não é necessário dispor de templos ou liturgias para acessá-La.

Percebemos que pessoas mais evoluídas espiritualmente nunca são fanáticas ou extremistas, ao contrário, acabam se afastando da religião. Na verdade, afastam-se da religião da autoridade e caminham em direção à religião do espírito.

A Religião Católica não foi criada em torno da mensagem de Jesus, o que era Sua vontade, mas sim de sua figura e dos prodígios que realizou.

Embora Jesus, o Homem-Deus, tivesse a intenção de “passar despercebido” como indivíduo, colocando em evidência sua mensagem e não sua pessoa, acabou por criar uma idolatria em virtude dos prodígios realizados para provar a existência da imortalidade.

Esta idolatria em torno da figura de Jesus, turvou sua verdadeira mensagem e, após sua “ascensão”, teve início a formação da Igreja tal como a conhecemos, com seus dogmas e sua estrutura hierárquica.

O próprio termo Jesus “Cristo” remete à figura de um Messias Libertador, um papel que foi recusado por Jesus durante toda sua vida. A forma correta de se referir a Michael ao usar seu nome terreno, seria “Jesus de Nazaré” e não Jesus Cristo.

Já a ciência, nunca conseguirá provar a existência de Deus.

Quando falamos de assuntos espirituais, aqueles que só creem no que pode ser provado cientificamente estão desperdiçando a possibilidade de evolução que Deus os concedeu com a experiência humana.

Como foi dito por Michael em um dos diálogos, se a ciência não pudesse comprovar a metamorfose de uma borboleta, jamais pensaria que antes ela tinha sido uma lagarta.

Muitas coisas estão além da nossa percepção e dos nossos sentidos. A presença do Pai só pode ser intuída e sentida com o coração.

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– Se tua presença no mundo obedece a uma razão tão elementar como a de deixar uma mensagem para toda a humanidade, não crês que “tua igreja” está sobrando?

– Minha igreja? – perguntou por sua vez Jesus, embora, em minha opinião, ele tivesse entendido perfeitamente – Não tive nem tenho a menor intenção de fundar uma igreja tal como tu pareces entendê-la.

Aquela resposta me perturbou demais.

– Mas tu disseste que a palavra do Pai deveria ser estendida até os confins da terra…

– Em verdade te digo que assim será. Mas isso não implica condicionar ou dobrar minha mensagem à vontade do poder ou das leis humanas. Não é possível que um homem monte dois cavalos ou que dispare dois arcos. Como não é possível que um criado sirva a dois amos. Senão, ele honrará a um e ofenderá ao outro. Ninguém que esteja bebendo vinho velho deseja naquele momento beber vinho novo. Não se verte vinho novo em odres velhos, para que não se azede, nem se despeja vinho velho em odres novos, para que não se deteriore. Nem se costura um remendo velho em um vestido novo porque se faria um rasgão. Da mesma forma te digo: minha mensagem só necessita de corações sinceros que a transmitam; não de palácios ou falsas dignidades e púrpuras que a cubram.

– Tu sabes que não será assim…

– Ai dos que se antepuserem à minha vontade!

– E qual é a tua vontade?

– Que os homens se amem como eu os tenho amado. Isso é tudo.

– Tens razão – admiti. – Para isso não é preciso montar novas burocracias, nem códigos, nem chefaturas… Não obstante, muitos dos homens de meu mundo desejariam fazer-te uma pergunta…

– Adiante – animou-me o Galileu.

– Poderíamos chegar a Deus sem passar pela igreja?

O rabi suspirou.

– E tu necessitas dessa igreja para chegar ao teu coração?

Uma confusão extrema bloqueou-me a voz. E Jesus percebeu.

– Muito antes de que existisse a tribo de Davi, irmão Jasão, muito antes de que o homem fosse capaz de se erguer sobre si mesmo, meu Pai havia semeado a beleza e a sabedoria da terra. Quem vem antes, portanto, Deus ou essa igreja?

– Muitos sacerdotes do meu mundo – repliquei – consideram essa igreja como santa.

– Santo é meu Pai. Santos sereis todos vós no dia em que amardes.

– Então – e peço que me perdoes pelo que vou dizer –, essa igreja está sobrando…

– O amor não necessita de templos ou legiões. Um homem tira o bem ou o mal de seu próprio coração. Um só mandamento vos é dado, e tu sabes qual é… O dia em que meus discípulos fizerem toda a humanidade saber que o Pai existe, sua missão estará concluída.

– É curioso: esse Pai parece não ter pressa.

O gigante olhou-me compassivamente.

– Em verdade te digo que Ele sabe que terminará triunfando. O homem sofre de cegueira, mas eu vim para lhe abrir os olhos. Outros seres descobriram já que é mais vantajoso viver no Amor.

– Que ocorre então conosco? Por que não conseguimos encontrar essa paz?

– Eu já disse que os tíbios, eu os vomitarei pela boca, mas não tentes mortificar teus irmãos na malícia ou na pressa. Deixa que cada espírito encontre seu caminho. Ele mesmo, no final, será seu juiz e defensor.

– Então, tudo isso de juízo final…

– Por que tanto vos preocupais todos com o final, se nem sequer conheceis o princípio? Já te disse que do outro lado vos espera a surpresa…

– Tenho a impressão de que tu serias considerado excessivamente liberal para

as igrejas do meu mundo.

– Deus é tão liberal, como dizes, que até mesmo permite que te enganes. Ai daqueles que se arrogam o papel de sabedores, respondendo ao erro com o erro e à maldade com a maldade! Ai dos que monopolizam Deus!

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– Existem realidades que dificilmente poderão ser provadas pela ciência ou pelas deduções da razão pura. Ninguém pode conceber essas verdades enquanto permanecer no reino da experiência humana. Quando tiverdes acabado aqui embaixo, quando houverdes completado vosso tempo de prova na carne, quando o pó que forma o tabernáculo mortal for devolvido à terra de que procede, então, só então, o Espírito que vos habita retornará ao Deus que vô-lo concedeu e tua pergunta ficará plenamente respondida.

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– Não meças nosso Pai Universal com a vara dos homens. Nem confundas a religião da autoridade com a do Espírito. Algum dia, todos os mortais compreenderão que só o caminho da experiência e da busca pessoal é digna da “chispa” divina que vos alimenta a cada um de vós. Até que as raças não evoluam, o mundo assistirá a essas cerimônias religiosas, infantis e supersticiosas, tão características dos povos primitivos. Enquanto a humanidade não alcançar um nível superior, assim reconhecendo as realidades da experiência espiritual, muitos (homens e mulheres) preferirão as religiões autoritárias, que só exigem a concordância intelectual. Essas religiões da mente, apoiadas na autoridade das tradições religiosas, oferecem um cômodo refúgio às almas confusas ou assediadas pelas dúvidas e pela incerteza. O preço a pagar por essa falsa e sempre provisória segurança é o fiel e passivo assentimento intelectual a “suas” verdades. Durante muitas gerações, a Terra acolherá mortais tímidos, temerosos e vacilantes que preferirão esse tipo de “pacto”. E eu te digo: ao unir seus destinos ao das religiões da autoridade, colocarão em risco a sagrada soberania de suas personalidades, renunciando ao direito de participar da mais apaixonante e vivificante de todas as experiências humanas: a busca pessoal da Verdade e tudo quanto isso significa…

Vol.3 | Pag.353 | 22/04/0030

– Mas essas revelações – interveio meu irmão nervosamente – ajudariam a Ciência…

O Mestre negou com a cabeça.

– A revelação não deve engendrar ciência, nem tampouco religiões. Sua função é coordenar ambas com a verdade da realidade.

– Mas a Ciência…

– Vossa Ciência, como a de todos os tempos, é apenas um espelho, que reflete vossa própria imagem cambiante. E te direi mais: tanto a ciência quanto a religião estão permanentemente necessitadas de uma autocrítica mais corajosa e de uma consciência mais clara da insuficiência dos seus estatutos evolutivos. Nos dois terrenos, os educadores humanos caem com frequência no dogmatismo e na autoconfiança excessiva.

– Mestre, não pareces muito amante das religiões.

Quem o diria?

– O sectarismo, querido amigo, é uma enfermidade das religiões institucionais. Quanto ao dogmatismo, uma escravização da natureza espiritual. É muito melhor ter uma religião sem Igreja do que uma Igreja sem religião.

– Isso me interessa – interveio Eliseu, desfrutando a incrível liberalidade do Ressuscitado. – Quais são, em sua opinião, os perigos das Igrejas?

– Em outra oportunidade falei disto com teu irmão. Mas repetirei para ti, se esse é o teu desejo. As religiões formalistas tendem à fixação de crenças e à cristalização dos sentimentos; fossilizam a Verdade; desviam-se do serviço de Deus para o da Igreja; lutam entre si e entre os irmãos, em nome do amor, propiciando a formação de seitas e provocando as divisões; dão lugar a autoridades eclesiásticas opressivas; conduzem à instalação de um falso estado mental aristocrático de “povo eleito”; mantêm idéias falsas e exageradas sobre a santidade; tornam-se rotineiras e petrificadas e acabam venerando o passado e ignorando as necessidades do presente.

– Meu Deus! – lamentou-se meu companheiro – Mas tu também formarás uma Igreja!

Um pesado silêncio caiu sobre a colina. O Mestre olhou para Eliseu com dureza. Depois, apontando para mim com a mão esquerda, respondeu com severidade:

– Se não desejas escutar minhas palavras, escuta ao menos as de Jasão. Quando o Pai permitir que me acompanhes, analisa bem meu proceder. Busca então no mais íntimo do teu ser e recorda o que acabas de afirmar. É importante que transmitas a verdade. Eu não vim ao mundo para criar Igrejas. Só para dar testemunho do nosso Pai. A natureza humana é débil (eu sei) e, involuntariamente, minha mensagem será deturpada, surgindo assim uma nova religião… “a pretexto” de minha pessoa.

Palavras proféticas as de Jesus de Nazaré.

Vol.6 | Pag.395 | 21/08/0025

– Mas Abbã é tão grande?

Jesus se soltou.

– Não existem palavras, querido "ajudante". Ele sustenta e contempla os universos na palma de Sua mão. É todo presente, mas está no futuro. É o único santo, porque é perfeito. É indivisível e, não obstante, se multiplica sem parar. Ele te imagina e apareces…

Eliseu negou com a cabeça. E comentou quase para si mesmo:

– Bonito, muito bonito, mas a ciência…

O Mestre, percebendo em que direção ia Eliseu, saiu na frente com contundência:

– Não te equivoques. Nem a ciência, nem a razão, nem mesmo a filosofia poderão demonstrar, jamais, a existência do Pai.

O engenheiro o olhou perplexo.

E o Rabi, penetrando sem piedade em seus pensamentos, sentenciou:

– Teu Chefe é mais esperto, imaginativo e amoroso do que supões. Ele não está à mercê de hipóteses ou postulados. Ele só está à mercê do coração…

Vol.6 | Pag.423 | 31/08/0025

Não pude nem quis silenciar meus pensamentos. - Como estamos equivocados! Em nosso mundo existem muitos que se consideram donos dessa verdade… a começar pela ciência.

O Mestre assentiu com a cabeça. E começou a repetir o que havia exposto na noite anterior.

– Estão enganados. Ai daqueles que tentarem monopolizar a verdade! Seu fanatismo os tornará cegos. Quanto à ciência, querido Jasão, não te desesperes. Algum dia descobrirá que é só uma valiosa companheira de viagem…

– De viagem. De quem?

– Da fé.

Vol.11 | Pag.615 | 10/08/0029

Jesus falou em “Templo da Fraternidade” e não em Igreja

– Eu sei que esta é uma revelação de meu Pai para suas almas…

Ele olhou para o céu azul e respirou fundo. Senti que ele estava prestes a dizer algo de especial importância. Eu não estava errado.

– …Bem, se isso foi revelado a você através do nitzutz (a centelha divina), declaro que sobre esses fundamentos construirei a irmandade do reino invisível e alado…

A julgar pelos rostos, eles entendiam pouco ou muito pouco. E o galileu continuou:

– …Sobre esta rocha espiritual levantarei o templo vivo da fraternidade entre os homens… Nenhuma força do mal pode prevalecer contra tal irmandade… E, embora o meu Pai seja o líder dessa irmandade espiritual, eu dou a vós e aos vossos sucessores as chaves do Reino.

Vol.11 | Pag.661 | 13/09/0029

– Mestre, por que você não escreve seus ensinamentos? Muitos vão acabar se perdendo…

Jesus olhou para o chinês gentilmente. Ele sabia que Yu escrevia tudo. E ele proclamou outra verdade importante:

– Se eu fizesse, se eu escrevesse meus ensinamentos, quando eu não estivesse mais aqui, vocês ficariam divididos… E, no entanto, vocês se enfrentarão em grupos que alegarão possuir a verdade.

Em Edrei, outra bela cidade helenizada, fomos recebidos por Tomé e seus evangelistas. Jesus falou aos seguidores sobre algo que a igreja primitiva – e seus sucessores – logo esqueceriam:

– Não recorram ao medo ou às ameaças para que seus irmãos descubram o reino invisível…Lembre-se do que eu disse: Eis que venho à porta e bato… Se alguém abrir a porta para mim, eu entrarei.

E lamentei as cruzadas, a Santa (?) Inquisição (com seus mais de 120.000 mortos), os conquistadores que devastaram a América, África e Índia em nome da cruz… E lembrei-me de todos os fanatismos do nosso tempo.

– Os homens, – continuou Jesus com evidente cansaço, – lutam em nome de Deus sem saber que o Pai Azul está dentro de cada ser humano; seja rico ou pobre, sábio ou ignorante, homem ou mulher…

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