Sobre os Símbolos, a Arte, a Imaginação e a Intuição
Sobre os Símbolos, a Arte, a Imaginação e a Intuição
“Buscar a pérola dos sonhos” foi uma frase repetida por Michael algumas vezes durante a narrativa. A frase chegou a ser escrita por Jesus em uma tábua, como um recado enigmático a Jasão, para que ele refletisse sobre isso.
Jasão, que tinha uma memória privilegiada, relata na série alguns de seus sonhos. Muitos deles foram premonitórios, pois anteciparam acontecimentos que se concretizaram posteriormente. Outros, como ocorre com todos nós, careciam de sentido, misturando cenários e personagens aleatórios. Jasão procurava nestes sonhos algum sentido oculto, alguma mensagem “cifrada” que revelasse o que Jesus chamava de “a pérola dos sonhos”.
Apesar de Jasão ter considerado que Jesus se referia aos sonhos como os pensamentos ou fantasias que nos ocorrem involuntariamente durante o sono, percebi que “sonhar”, nas mensagens de Jesus, está relacionado a “sonhar acordado”.
Pode até ser que os sonhos que sonhamos dormindo tragam realmente uma mensagem oculta ou quem sabe estejam conectados a uma realidade desconhecida, no entanto me parece que o referido sonho esteja relacionado mais aos nossos desejos, anseios, ideias e a vontade de criar.
Todo nosso planejamento, seja de curto, médio ou longo prazo, é algo que surge primeiro em nosso pensamento, como uma ideia simples que vai tomando corpo e detalhamento, até se tornar uma realidade.
Uma criança que vai fazer um desenho no papel está sonhando acordada, imaginando o desenho pronto antes de começar.
Um atleta que está pensando em como melhorar sua performance, mudando um ou outro movimento, está sonhando acordado. Para atingir um desempenho melhor, ele precisou primeiro pensar sobre isso.
Um adolescente que está escolhendo qual curso superior pretende optar, está sonhando acordado, imaginando toda uma carreira a partir desta escolha.
Um arquiteto contratado para projetar uma casa, está sonhando acordado, vendo cada cômodo surgir em sua mente até que surja um esboço de uma planta baixa, que um dia se tornará uma realidade física, uma construção acabada.
E assim por diante, tudo começa na nossa mente para então se tornar realidade. Já dizia o Hermetista: “O Universo é mental. O Todo é mente”. E como ensinou Michael, tudo o que surge na nossa mente, já foi imaginado antes pelo Criador Supremo, o Grande Sonhador.
Assim se entende melhor a arte e o artista, assim mergulhamos mais profundamente na poesia e no poeta, assim absorvemos melhor as notas musicais e o músico, assim enxergamos a beleza de uma dança e o esforço da bailarina.
E o que não são estas obras, senão símbolos? Tudo o que criamos, de uma simples receita gastronômica até uma complexa obra de engenharia, resume simbolicamente o esforço da nossa criação. Daí a importância de olharmos com atenção e analisarmos cuidadosamente os símbolos que diariamente nos são apresentados.
Analisar os símbolos é fazer o caminho inverso. É olhar para algo que foi criado por outrem, perceber seu esforço e intuir o sentido da criação. É sonhar acordado o sonho de quem criou, absorver parte do sentimento benéfico que uma criação traz ao criador. É buscar a pérola dos sonhos.
Afinal, de uma forma ou de outra, todos somos criadores. E Michael nos estimulava a exercer mais e mais essa imaginação. A sonharmos mais. A sermos cada vez mais parecidos com Deus.
Vol.9| Pag.66 | 14/02/0026
Contexto: Jasão manuseava uma Galgal, uma pedra esférica de feldspato ou ortoclasita de baixo valor e grande beleza, que pertencia a Jesus.
– Sabes que o Pai também fala por meio desses azuis?
Olhei para a esfera, atônito. Jesus nunca mentia. Mas não compreendi.
E Ele acabou esclarecendo que se referia à linguagem dos símbolos. Então, entendi menos ainda.
– Os símbolos? E lhe expliquei que minha vida havia corrido por caminhos mais prosaicos. Não sabia do que estava falando.
Sorriu, benevolente.
– Pois já é hora de mudares.
Continuei não entendendo. E Ele, paciente, apontou para a galgal.
– Observa os azuis.
Fiz isso. As "nuvens", de fato, saíam da esfera a cada reflexo do fogo. E ali começou aquela que, sem dúvida, foi a conversa mais críptica de todas que cheguei a entabular com o Mestre. Não consegui esclarecer alguns pontos que Ele esgrimiu. Talvez Eliseu, mais iniciado que eu, conseguisse. Foi o que pensei, mas o Destino tinha outros planos. Peço desculpas, portanto, ao hipotético leitor destes diários por não ter sabido resolver o enigma de algumas palavras de Jesus de Nazaré.
– Observa estes azuis - repetiu o Mestre.
E utilizou a palavra techelet ("azul-celeste" em hebraico).
– Essas letras (kaph e tet), que compõem techelet, podem ser traduzidas como "todo" e "debaixo".
Isso era Cabala, de novo. Tet podia ser traduzido também como “sub” e “debaixo de”. E deixei que se explicasse.
– O azul está debaixo de tudo.
Ele me observou e compreendeu que estava começando a me perder.
– O azul – esclareceu – aparece sempre por cima do homem e por baixo de Deus, do Infinito, da Eternidade e da Unidade. O azul sustenta tudo. Compreendes agora quando te digo que o Pai fala também por meio do azul?
E prosseguiu, entusiasmado.
– O azul é o símbolo do amor porque aproxima. O azul une e faz que dois sejam um. Sabes o que representa a cor azul?
Neguei com a cabeça. Efetivamente, estava mais que perdido. O Mestre acabava de dizer…
– Amor, em hebraico, como sabes, se diz áhab.
Assenti.
– Pois bem, essa palavra, áhab, contém os conceitos de ab (Pai) e heh (Espírito).
Dessa vez julguei entender.
– O amor (o azul) une o Pai e o Espírito, a grande força. O amor (o azul) sustenta tudo. O amor (o azul) une o que está em cima e o que permanece embaixo…
Apontou de novo para a galgal e acentuou:
– Ela está no meio dos céus.
Jesus utilizou a expressão “leb ha-shamaim” ("o coração dos céus"), como afirma o Deuteronômio (4, 11).
– Ela – prosseguiu, – o azul, o amor, não tem que ser compreendida: tem que ser sentida.
Nisso tinha razão, como em quase tudo, suponho. Quanto à galgal, era suficiente contemplá-la e perceber sua beleza. Senti-la, sim.
O mundo dos símbolos…
Nunca me aventurei nele. Jesus havia começado a navegar pela intuição, um oceano desconhecido para mim, embora eu, como médico, soubesse que a simbologia é a linguagem do hemisfério cerebral direito.
Jesus insistiu:
– Não temas. Deus, o Pai, é o primeiro a lançar mão dos símbolos. Eles foram imaginados pela Divindade para contribuir com o desenvolvimento espiritual do homem.
Nunca havia pensado nisso.
E naquele momento me veio à mente aquela assombrosa cena, no batismo de Jesus no Artal, um dos afluentes do rio Jordão. Uma pequena esfera, do diâmetro de uma mão fechada, desceu do céu encapotado, buscou o peito do Mestre e acabou desaparecendo (?) dentro do tórax do Galileu. Foi isso que vi, ou julguei ver, naquele 14 de janeiro.
A esfera era azul safira.
– Os símbolos – prosseguiu o Mestre – são os degraus pelos quais desce a Divindade. Não temas, querido mensageiro; que não te assustem. Observa-os como outra semeadura do Pai. Eles te pegarão pela mão e te aproximarão d'Ele. Eles te abrirão um horizonte que negam a razão. Eles, os símbolos, ampliarão tua consciência e te darão medida do que não tem medida.
– A consciência… - murmurei.
– Sim, a consciência, essa lenta e progressiva corrida para ti mesmo. Recordas? O trabalho da alma.
E pensei: "A consciência, como afirmava Ruyer, a antecipação do tempo futuro".
O Mestre sorriu, se divertindo. E pontuou:
– Sim, a finalidade do símbolo é criar consciência nas criaturas materiais. Consciência do inefável.
Tornei a me perder.
E Ele, paciente, insistiu em algo que já havia apontado:
– Deixa a razão de lado. Ela não te serve na viagem da intuição. A razão se desfaz quando pretende analisar e fragmentar o símbolo.
– E não seria melhor que o ser humano fosse sempre intuitivo?
– Deixa isso para depois da morte. Estás onde estás.
– Então, o símbolo, se não compreendi mal, é outra categoria do invisível.
O Galileu sorriu, satisfeito. Este pobre explorador já havia captado alguma coisa.
– Eu te disse: eles, os símbolos, levam diretamente às profundezas da Divindade. Eles afastam e aproximam, conforme o caso. Eles te aproximarão d'Ele e te afastarão de ti. Eles são uma ponte, mas só poderás cruzá-la de mãos dadas com a intuição. Pressente-os. Só assim serão símbolos vivos. Se o símbolo não te transmitir, é porque está por nascer.
Aconteceu de novo. Naquele momento, não sei como, a caverna se encheu de um intenso perfume de malva. Eu o associei ao sentimento de amizade. Jesus continuava falando e agitava suas longas e peludas mãos; na realidade, acho que o que agitava era seu enorme e generoso coração.
E desfrutei do aroma, com certeza muito mais que das difíceis e para mim - distantes palavras.
– Os símbolos, acima de tudo, estão aí para que o pressintas a Ele. É uma forma de te dizer: "ei, ze’er!" ("ei, menino!").
E Jesus piscou para mim. Era assim que me chamavam no estaleiro, em Nahum: "ei, ze'er!"
Sim, claro…
Para que mentir? Eu estava concentrado no perfume de malva. “Lereach nijoach”… Um cheiro agradável… “Hut nehat”… O Espírito que desce, como já mencionei.
– Os símbolos te levarão além das palavras.
O Mestre me interrogou com o olhar. Acompanhava-o? Disse que sim por puro compromisso. Ele sabia que não estava. Fazia tempo que eu estava perdido. Mas Ele prosseguiu:
– Te conduzirão aonde desejar o Espírito, tua centelha.
Eu havia lido Jung em minha juventude e recordei uma citação sua: “O símbolo remete para além de si mesmo, para um além inapreensível, obscuramente pressentido, que nenhuma palavra poderia expressar de forma satisfatória". Sim, o Mestre tinha razão, como sempre.
– Veja a arte. Ela se alimenta do símbolo.
Eu concordava. É a simbologia que torna a arte inovadora.
– E voltamos à imaginação, querido malak, à necessidade de sonhar acordado, à busca da pérola do sonho, recordas?
Disse que sim.
– O que pensas que havia antes da criação?
Ele me pegou de surpresa. Mas, sempre atencioso, adiantou-se:
– Imaginação. Antes da matéria estava o Pensamento, o Símbolo por excelência. Tudo existia antes de ser, na mente do Pai. Tudo que puderes imaginar, já foi.
– Queres dizer que nada do que o ser humano imaginar é novo?
– Nada. Tudo foi, mas está bem: deves utilizar a imaginação para ser como Ele. Eu te disse: a imaginação é o único caminho. Quanto mais cresceres nesse sentido, quanto mais imaginares, quanto mais sonhares, quanto mais te empenhares na busca da pérola, menos precisarás da realidade.
Olhou para mim com curiosidade e perguntou:
– Gostarias de viver outra realidade?
– Naturalmente.
– Pois imagina, sonha acordado, e esta realidade que agora te cerca se diluirá.
Sorriu feliz e recordou algo que repetiria até cansar:
– O reino do Pai é outra realidade. Vim ao mundo para recordar isso. Prepara-te imaginando, então. Utiliza os símbolos. Ele os deixa cair intencionalmente. Não analises. Sente. Estás aqui para experimentar a vida e o tempo. Deus quer que penses, sim, mas, especialmente, que sintas. Os símbolos te ajudarão a decifrar as escuridões da vida. Eles revelam velando, e velam desvelando. Eles são a explosão do Um para o Todo. Eles são a porta do reino que estou te oferecendo. E depois, quando abandonares a matéria, tu serás um símbolo.
Ele tinha toda a razão. Que seria do mundo sem a simbologia? Os símbolos nos ajudam a iluminar o Destino e, enfim, são a chave que abre a mente para o desconhecido. Eu concordava com o Mestre: um mundo sem símbolos seria irrespirável.
Vol.9 | Pag.730 | 26/09/0026
Contexto: Jasão e Jesus tomavam uma sopa sem sal feita por Felipe e começaram a falar sobre imaginação.
– A imaginação é como o sal. Ou a sopa tem, ou não tem…
E respondeu às minhas perguntas com transparência:
– A imaginação – disse ele – se desenvolve e se exercita, do mesmo modo que o corpo e a mente, mas não nos deixemos enganar… A imaginação (Ele a chamava dimiôn, em hebraico) é um dom. É o sal da inteligência.
Entendi que a imaginação aparece com o sujeito, da mesma maneira como ele nasce ruivo ou com pés chatos. Beethoven tinha esse dom e soube exercitá-lo. A mesma coisa aconteceu com Michelangelo. Os céus lhes deram imaginação e ele a moldou e pintou.
Assim, ninguém deve ser culpado por lhe faltar imaginação. Jesus olhou para Felipe, mas o intendente pareceu não entender que se referia a ele.
– Abbã é sagrado porque desfruta do máximo da imaginação… Em verdade eu vos digo que não é o poder que distingue o Pai, mas sim a sua capacidade imaginativa.
E resumiu:
– Toda a criação visa assemelhar-se a Abbã…
Depois, colocou alguns exemplos. Eu me lembro dos seguintes:
– Os seres humanos que desfrutam do dom da imaginação são mensageiros especiais. Eles anunciam o céu. É por isso que a poesia é o que existe de mais parecido com a perfeição. (Ele usou o termo "santidade", e eu entendo que perfeição e santidade sejam sinônimas.)
– Por isso - porque imaginais - é que vós invejais os pássaros… Por isso é preferível a intuição à razão.
Desta vez foi Tomé quem não compreendeu. A razão era algo intocável para o discípulo de Tariqueia. A intuição era algo de que só as mulheres e os iluminados falavam…
E o Mestre esclareceu:
– Aquele que imagina intui sem cessar. E aquele que racionaliza se equivoca sem cessar…
– Por isso - para que possais imaginar- o reino de meu Pai é invisível e alado.
– Por isso, a criação nasce do nada… aparentemente.
– Por isso, para que possais imaginar, o silêncio é sonoro.
– Por isso, Deus não é o fim.
– Por isso, para que possais imaginar, Deus não tem aparência.
– Por isso, Deus não é religioso.
– Por isso, para que possais imaginar, Deus é simetria.
– Por isso, o 'para além' cabe na palma da tua mão.
– Por isso, para que possais imaginar, nada é para sempre.
– E por isso que o amor é apenas divisível por si mesmo.
– Por isso, para que possais imaginar, eu Tenho porque Dou.
Recordei-me da fórmula do pavilhão secreto de Yu, corrigida pelo Mestre: "A=TxD".
– Por isso, Deus não grita, sussurra.
– Por isso, para que possais imaginar, a matéria é visível.
– Por isso, Deus viaja sem se mover.
– Por isso, para que possais imaginar, morrer é regressar à realidade.
– Por isso, vós estais condenados a ser felizes.
– Por isso, para que possais imaginar, descei sempre ao 'vós', tal como eu faço.
Entendi que aqui estava se referindo a "fazer 'im".
– Assim, enamorar-se é ensaiar a vida eterna.
– Por isso, para que possais imaginar, Deus imaginou a curva…
Jesus era um fã de seu Pai. Acho que já devo ter dito isso. Como resultado, era um fã da imaginação. Sempre a utilizava na medida do possível. Metáforas e parábolas o acompanharam pelo resto da vida.
Ele continuou falando e falando da imaginação. Fiquei com aquilo que pude, o que não foi muito. A última frase do Galileu seria um salva-vidas para quem isto escreve:
– Se morreres imaginando, não saberás que estás morto.
Vol.9 | Pag.934 | 21/04/0027
Contexto: Jesus e Jasão visitam Flávio, rico comerciante grego, morador de Jerusalém, homossexual assumido e colecionador de artes, que se interessava pelos ensinamentos de Jesus. Jasão pergunta:
– Por que dizes que não é todo mundo em Jerusalém que está disposto a pisar nesta casa?
Era óbvio, mas o anfitrião aclarou:
– Pelas minhas obras de arte…
E Flávio recordou aos discípulos o que a Lei Judaica dizia: o uso de imagens é proibido.
O Mestre escutou atentamente.
Depois, quando Flávio concluiu, expressou um pensamento generalizado em boa parte da nação judia:
– Se faz muito disso…
O Galileu estava certo. A norma contida no Êxodo tinha pelo menos 1.300 anos.
E Jesus arrematou:
– Os tempos mudam.
João Zebedeu protestou. Jesus não prestou atenção e, dirigindo-se ao surpreendido Flávio, proclamou:
– Eu te anuncio, amigo, que existe um reino invisível e alado em que a beleza tudo ocupa…
– Mas Moisés disse…
– Insisto, Flávio: eram outros tempos. Moisés ficou justificado para evitar a idolatria. Hoje, em contrapartida e em tempos de mudança, não há que olhar a letra da Lei, senão seu espírito…
O judeu helenizado não sabia se ria ou se chorava. Estava desconcertado. Era a primeira vez que lhe falavam dessa forma.
– Em verdade eu vos digo, Flávio, que nesse reino só se adora a beleza…
Jesus se deteve por uns instantes. Deixou que a ideia os embebesse e prosseguiu:
– Nesse reino magnífico, ao qual vós chegareis, só se adora ao Pai, a máxima beleza…
– Queres dizer que…
– Quero dizer que chegará um dia - e dirigiu o olhar para quem isto escreve – no qual os homens saberão apreciar a arte e ninguém rasgará as vestimentas diante de uma imagem de mármore, de madeira ou de ouro…
Mensagem recebida.
– Em verdade eu te digo, Flávio: tudo é bellinte…
– Bellinte? A que te referes?
Jesus lhe explicou.
– Bellinte significa beleza mais a inteligência de Deus na hora de criar…
Flávio flutuava.
– Um Deus Azul!
E acariciou a peruca azul.
– Sabes qual religião pratica o Pai?
A súbita pergunta de Jesus nos desconcertou. Não sabia que Abbã fosse religioso… Interessante.
Os discípulos olharam uns para os outros. Flávio encolheu os ombros.
Foi João quem respondeu, não sei se em nome do resto:
– O Pai, naturalmente, professa a religião judaica…
O Mestre sorriu, maroto, e se apressou em explicar:
– O Pai pratica a religião…
Fez uma pausa e deixou todos no ar.
– A religião da arte!
Vol.11 | Pag.390 | 01/12/0028
Pergunta Tomé:
– Rabi, é verdade que a intuição tem a forma de um anjo e anda na ponta dos pés?
O Mestre sorriu, compreensivo, e explicou (o melhor que pôde):
– A intuição é outro presente de Abbā. Ela é linda. Isso é tudo que posso te dizer…
– Viver não significa estar certo, – continuou o Rabi.
– Viver é experimentar… Viver o bom e o mau para que mais tarde, após a morte, ninguém te fale disso… Viva o pequeno e você descobrirá o grande… Nunca prometa; não há necessidade: (é melhor) agir… O mundo está cheio de palavras: precisa de silêncios… Não se preocupe com o céu azul; Chegará o dia em que você vai beber… Seja corajoso: negocie com os pequenos; vale a pena… O pequeno vai te fazer grande… Vive na parceria com a humildade… Ventile a alma com todos os cinco sentidos… Deixe o olho descobrir sua própria luz… Deixe o ouvido ouvir seus passos… Permite que o cheiro cheire a santidade que vos espera…
– Deixe o toque continuar a deixar os anjos com inveja… Permite ao paladar descobrir novos horizontes… Olhe para si mesmo primeiro e você aprenderá a olhar… Você quer liberdade? Nada nu… Não exagere e muito menos na sanidade… A sabedoria é desejável, mas é deserta… De vez em quando anda para trás nos caminhos dos sonhos… Recupere desejos, mesmo que sejam infantis… Se você pensa como uma criança, você terá amadurecido… Monte a vida desnudo e divirta-se… Espere sempre pelo imprevisto e você sobreviverá… Tempere de vez em quando; coloque o sal certo sobre ele… Belisque a existência sem medo; é sua… Lembre-se de que ninguém pode ser santo (perfeito) (aqui), mas as coisas podem… Humanize os pequenos… Divinize o imperfeito… Aprenda a olhar em cada agora… O olhar não mente… O olhar acaricia… O olhar ensina…