Sobre as Maldades do Mundo

Há uma clara referência à dualidade quando Jesus explica sobre as razões da existência da maldade, da insegurança, da mentira, da injustiça e do sofrimento em nosso mundo.

Para que existam as coisas que consideramos boas, como a felicidade, a bondade, a justiça e a esperança, é necessário, dentro desta realidade de imperfeição que vivemos, que existam também as coisas ruins.

Não existiria em nosso mundo o conceito de justiça se não houvesse a injustiça. Não faria sentido falar sobre verdade, se não houvesse a mentira ou a falsidade. A nossa busca pela felicidade, pelo bem, só se justifica porque existe o mal.

Além disso, é em meio ao sofrimento e às adversidades que mais nos questionamos, que mais buscamos respostas para as realidades espirituais. É o momento de maior crescimento.

Não fosse assim, estaríamos estagnados, sem qualquer necessidade de uma busca por evolução.

Culpar a Deus pelo sofrimento no mundo é falta de perspectiva. É ter apenas uma visão parcial e limitada, sem conseguir enxergar o “todo”.

Como seres limitados, nunca será possível entender plenamente o todo (o ilimitado), mas é importante voltarmos ao conceito do “tikkun”, a “missão” de cada um, o propósito espiritual que foi designado a cada um antes de nascer. Isso nos dá, ao menos parcialmente, a noção de que tudo está planejado e entrelaçado.

Nada acontece por acaso. Nossa concepção é limitada. O mal é relativo. Tudo está disposto para o bem.

Vol.1 | Pag.172 | 03/04/0030

– Que te preocupa? – perguntou-me Jesus.

– Sendo assim, que podemos pensar dos que nunca amaram?

– Não existem tais pessoas.

– Que me dizes dos sanguinários, dos tiranos?…

– Eles também amam. À sua maneira. Quando passarem para o outro lado levarão um bom susto…

– Não entendo.

– Eles se darão conta, ao deixar este mundo, de que ninguém lhes perguntará por seus crimes, riquezas, poder ou beleza. Eles mesmos, e só eles, se convencerão de que a única medida válida, no “outro lado”, é a do Amor. Se não amaste aqui, em teu tempo, somente tu te sentirás responsável.

– E que ocorrerá com os que não tenham sabido amar?

– Queres dizer: com os que não tenham querido amar…

Novamente me senti confuso.

–… Esses, amigo – prosseguiu o rabi captando minha dúvida –, serão os grandes enganados e, em consequência, os últimos no Reino de meu Pai.

Vol.3 | Pag.344 | 22/04/0030

– Que me dizes da desesperança, da mentira, da injustiça?…

O Mestre ergueu as mãos rogando-lhe calma.

– Vejamos: a esperança é desejável?

Assentimos ambos ao mesmo tempo.

– Pois bem, então é necessário que a existência humana seja permanentemente confrontada com a incerteza e a insegurança.

– E que nos dizes da mentira?

– Dizei-me: é bom o amor à verdade?

Não esperou nossa resposta, que era óbvia.

– Nesse caso é preciso que o homem cresça em um mundo em que o erro esteja presente e a falsidade seja sua cotidiana companheira.

– Que podes dizer diante da decepção?

As respostas, tão taxativas, não desanimaram o mordaz Eliseu.

– E que podes dizer sobre a dor? Tu a experimentaste com acréscimos. Era necessário? Foi justo?

O rosto do Galileu ensombreceu-se fugazmente.

– Tu desejas a felicidade, não é verdade?

– Mais do que qualquer outra coisa neste mundo! – exclamou meu irmão, recobrando a combatividade.

– Então – sentenciou Jesus sem possibilidade de apelação – deverás viver em um mundo no qual a alternativa da dor e a probabilidade do sofrimento sejam possibilidades experienciais sempre presentes. As atribulações são a maior fonte de sabedoria para os mortais. Em verdade, em verdade vos digo que não se pode perceber a realidade espiritual se antes não a tivermos sentido pela experiência. E muitas dessas verdades só se intuem e compreendem em meio à adversidade… Quanto ao meu próprio sofrimento, em nada foi diferente do de muitos outros mortais. Quando alguém sucumbe à dor, eu, ou meus anjos, estamos ali…

– Para quê?

A inocência de Eliseu deve ter comovido o Mestre, que, sorrindo-lhe, ergueu o rosto para o azul do céu e respondeu:

– Ainda que o enfermo não o perceba claramente, com o único fim de recordar-lhe que, como eu fiz, deve abandonar-se às mãos do Pai. Eu vos disse: nada no reino do nosso Pai é obra do acaso.

Vol.3 | Pag.350 | 22/04/0030

– Se o Pai é amor – intervim – por que consente no mal?

– O mal, meu atormentado amigo, é um conceito relativo. O mal potencial é inerente ao caráter necessariamente incompleto de Deus, como expressão da infinitude e da eternidade limitadas pelo espaço-tempo. O fato do elemento parcial, em presença do total aperfeiçoado, constitui a relatividade da realidade. Em todo o Universo, cada unidade é considerada como parte do todo. A sobrevivência da fração depende da cooperação com o plano e a intenção do todo, do desejo sincero e do consentimento de fazer a vontade do Pai. Se existisse um mundo evolucionário sem erro, sem possibilidade de julgamentos imprudentes, seria um mundo sem inteligência livre. Em meu universo há mil milhões de mundos perfeitos, com seus habitantes perfeitos, mas é preciso que o homem em evolução seja falível, se verdadeiramente deseja ser livre. É impossível que uma inteligência livre e inexperiente seja uniformemente sábia a priori. Mas não confundais erro com “pecado”. A possibilidade de juízo errôneo só se torna “pecado” se a vontade humana assumir e adotar conscientemente um juízo imoral intencional.

– Nesse caso – perguntei –, crer que as desgraças são enviadas por Deus pode ser uma absoluta estupidez?

– Mais do que uma estupidez, Jasão, uma consequência da cegueira humana. O Deus Eterno é incapaz de sentir a cólera ou castigar seus filhos. Essas são emoções humanas, vulgares e desprezíveis, indignas de ser chamadas humanas e muito menos divinas.

Vol.7 | Pag.65 | 17/09/0025

– Então, Yaveh… quem é?

– Melhor dizendo, quem foi?…

Esperei intrigado. O Mestre se perdeu no crepitar das chamas e permaneceu assim durante um tempo que me pareceu interminável. Eu me arrependi da pergunta. Talvez não fosse oportuna. Finalmente, voltando para mim, explicou:

– Este é outro momento no qual minhas palavras só podem se aproximar da tua realidade. Digamos que foi um "instrumento"…

– Tu queres dizer que não era Deus?

Não respondeu. Seu olhar buscou de novo as brasas da fogueira e quem escreve acreditou "ler" no silêncio.

– Por que tanta confusão?

O Mestre voltou a negar com a cabeça. Em parte compreendi sua impotência na hora de transmitir idéias.

– Eu já te disse. Tudo obedece a uma ordem. Nada é por acaso. Aquilo que tu julgas confusão é falta de perspectiva. Acabas de ser imaginado por Ele. Acabas de aparecer como criatura mortal. Tudo te parece confuso. És um recém-chegado. Confia e receberás a informação…, no momento adequado. Estes concebem Deus como um juiz e acreditam que o ideal é a total submissão aos preceitos. A justiça divina (para estes) é algo lógico. No futuro, graças a mensageiros como tu, isto mudará. O mundo lembrará minhas palavras. Reconhecerá o verdadeiro rosto deste Deus-Pai e, simplesmente, irá ao seu encontro…

– Um momento - interrompi -, estás dizendo que algum dia, no futuro, a justiça divina desaparecerá? Não é fácil conceber um Deus sem justiça…

– Agora é assim. Esta é a ordem daquilo que te falei. O amanhecer chega sempre depois da escuridão. Mas haverá uma manhã e o mundo descobrirá que o Deus justiceiro (como Yaveh) faz parte de um tempo passado. Tu és mais: dir-te-ei algo que já deverias saber…

Ele me observou divertido.

– O Pai nunca foi justo…

E o Mestre, compreendendo minha estranheza, suavizou a afirmação:

– Assim como acontece com o conceito de pecado, sois vós homens que decidistes que Deus faz justiça…

– E não é o justo?

– O amor não precisa da justiça. Insisto: é o ser humano que se empenha em fazer Deus à sua imagem e semelhança. Eu disse em certa ocasião que a justiça divina é tão eternamente justa que inclui inevitavelmente o perdão compreensivo. Agora, no silêncio deste lugar, te digo que minhas palavras são insuficientes. Agora, e para ti, meu querido mensageiro, te digo que o Pai jamais precisou da justiça. Se o pecado, como a ofensa à divindade, não faz parte da consciência de Deus, de onde vem a justiça? Compreendes o porquê das minhas palavras? Compreendes quando digo que Deus nunca foi justo?

– Permite, Senhor, que eu volte atrás. Se o Pai não precisa da justiça, o que fazemos com os maus? Quem os julga? Como e onde pagam suas atrocidades?

O Filho do Homem deu um profundo suspiro. Seus olhos, longe de repreender, me acolheram com doçura. E tentou descer até a minha realidade, mais uma vez…

– Este é um lugar especial - associei suas palavras ao kan (erro grave).

(*Nota: o “kan” era um tipo de acampamento, afastado das aldeias, onde alguns abnegados dedicavam-se a cuidar de pessoas com os mais diversos tipos de síndromes e doenças físicas e psíquicas. Esses doentes eram rejeitados pela sociedade e pela própria família, pois as doenças eram consideradas um “castigo” de Yaveh por supostos pecados cometidos. Jesus, ao dizer “Este é um lugar especial”, não se referia somente ao kan e aos doentes, mas ao nosso mundo e a todos os homens e mulheres).

– Aqui, por desejo expresso da divindade, tudo é autorizado: o mais nobre e o mais baixo. Mas isso, Jasão, não significa que a criação tenha escapado das mãos do Pai. Eu te disse: nada escapa do amor do Número Um. A maldade, inclusive, faz parte do jogo…

Certamente eu não prestava atenção suficiente. E, como um tonto, insisti…

– Mas quem faz justiça? Quem pede contas?

– Já falamos disso também. Depois da morte, ninguém julga. O amor nunca julga. Sê paciente e confia. Existe uma ordem que tu mal imaginas…

– Então o que devemos fazer?

Jesus respondeu com uma só palavra:

– Yeda! Dar graças!

Vol.9 | Pag.717 | 09/09/0026

– Tudo obedece a uma ordem, Pedro. O Espírito, sobre o qual já falei, a tudo impregna, a tudo permeia. Achas que Ele deseja o mal?

Simão Pedro continuou balançando a cabeça.

– Em verdade, em verdade vos digo: não culpeis a Deus por vossa ignorância… E mais: não percais vosso tempo e vossa energia erguendo os punhos contra Abbã. Aquele que se rebela contra Deus é porque não enxerga.

Vol.9 | Pag.852 | 01/02/0027

Foi ao longo de um desses jantares que saiu à luz o tema da violência. Ninguém mencionou a briga no Ômega, entretanto as imagens flutuavam no pensamento de todos. Qual era a opinião do Mestre?

E Jesus abriu seu coração, explicando por que sentia aquela repugnância natural a qualquer tipo de violência (física ou verbal):

– Utilizar a violência - resumiu – é baixar de nível até o mais primitivo do ser humano… Só na imperfeição há violência… Quando regressardes à realidade, tudo isso vós parecerá um sonho ruim. E se extinguirá lentamente. A passagem pelo mundo será praticamente esquecida…

– Mas, Mestre - interviu André, – como mudar isso? Como terminar com a violência? O homem nasce com ela… O homem é uma criatura violenta…

– É questão de tempo, André. A violência vem do medo. Vós deveis agora tentar modificar isso. A confiança no Pai deve substituir o medo. Só assim eliminarão a violência.

Eu me lembro de frases como estas: "Não há velhos soldados; só velhos desconcertados… O caminho para a luz não passa pela guerra… O soldado não é a manifestação mais nobre da humanidade; em todos os casos, é sua face mais obscura… Só os mortos presenciam o término da guerra (segundo Platão); pois eu lhes digo que nem isso… A guerra não enriquece o acervo humano; só o enche de rapacidade… A guerra é a pior das amnésias… O melhor guerreiro é o que não sabe guerrear… Não sei de nenhuma guerra que tenha contribuído para a justiça, e muito menos para a paz… A guerra cansa antes de começar… Após uma guerra não há vencedores. Repugna-me o que chamam moral combativa… A guerra suja tudo, começando pelo olhar: Se os generais contemplassem o firmamento com o coração, não haveria mais guerras. Nenhuma guerra é santa… Com a guerra não se ganha nada que já não tivesse, e se perde tudo o que se tinha… Falar da fortaleza moral na batalha, no mínimo, é cínico… Guerra e ética são irreconciliáveis… Se um militar estiver contra a guerra é que ele transcendeu a escuridão… As causas primárias das guerras se tornam esquecidas pelas vitórias…"

Vol.11 | Pag.373 | 12/11/0028

Ira (raiva) e Vingança

– A raiva, – disse o galileu, – é a demonstração viva do fracasso humano… A raiva equivale à falta de amor e, acima de tudo, à falta de controle.

E o que fazemos com o odiado kittim? Iscariotes perguntou.

– Deixe o Pai Azul fazer seu trabalho, resumiu Jesus. Seus inimigos também têm uma missão…

E continuou com o tema capital:

– Não se deixe levar pela raiva. É uma cobra que sufoca e acelera o envelhecimento.

– Você quer dizer que, se não ficarmos com raiva, viveremos mais?

A pergunta de Mateus Levi obteve uma resposta rápida:

– Você viverá o que contraiu, mas, sem raiva, viverá melhor; mais pacificamente.

Ele continuou:

– A raiva leva o homem às cavernas e ao desmantelamento da mente…

Eu senti como se estivesse me retratando.

– …A raiva, – continuou ele, – força a "centelha divina" a ser silenciada… Enquanto você grita, ela foge e se refugia nas profundezas de seus pensamentos, onde você não pode alcançar… Quando você se acalma, quando você se torna você novamente, o nitzutz volta e o ilumina… Lembre-se: um homem pacífico irradia luz. Você já se perguntou por quê?… A raiva mata o tolo… Lembre-se: o sábio nunca perde o controle. Além disso, o verdadeiro sábio usa o sorriso para ganhar… A raiva e o ódio alimentam a raiva e o pensamento perde… Não dê raiva, da mesma forma que você não dá veneno… A raiva multiplica os erros e causa conflitos… A raiva é a mãe da vingança… Ambos nascem estéreis…

O Mestre notou nossa desolação — estávamos todos praticando a raiva — e tentou nos encorajar:

– Mas não se preocupe… Nem a raiva nem a vingança podem passar para o outro lado… Eles são ervas deste mundo. Ouça o nitzutz (a centelha) e a raiva será extinta como uma vela.

Naquela noite, adormeci na companhia de um único pensamento: "Por que nunca fui ensinado a usar a moeda do amor? Por que eu era um campeão da raiva e da vingança?" Sim, a milícia degrada…

Vol.11 | Pag.786 | 13/03/0030

– Mestre, até chegar ao Paraíso, quantas vezes terei que morrer?

Tínhamos conversado sobre isso, mas o Urso não se lembrava.

– Lázaro é uma exceção, respondeu Jesus. Você e seus irmãos só morrerão uma vez… É a coisa estabelecida. Então, mais tarde, quando você chegar aos portões do Paraíso, você será submetido a um sono profundo, semelhante à morte.

Tomé discordou:

– Mas por quê?

O Galileu hesitou. Eu me coloquei no lugar dele e entendi. Como é difícil beber o mar…! Mas ele respondeu com infinita doçura:

– O paraíso, Tomé, só pode ser acessado sonhando…

Nós não entendemos, logicamente. E o homem vesgo continuou a pressionar:

– Deus, tem algo de mau sobre Ele…

– Por que você diz isso? O Rabi estava interessado.

– Ele disse: 'Seja perfeito como eu sou perfeito'.

Jesus acenou com a cabeça. E Tomé completou seu argumento:

– Como ser perfeito em meio à imperfeição? É por isso que afirmo que o Pai Azul tem algo de mal. E vou mais longe…

Ouvimos perplexos. Tomé foi corajoso. Essas palavras - na presença dos fariseus - teriam lhe custado caro.

– … O ato de ser imaginado por Abbã, – continuou Tomé, – parece cruel.

Os íntimos se rebelaram. E eles protestaram. André pediu silêncio. E todos olharam para o Rabi.

– O que você entende como mal, – explicou Jesus com a santíssima paciência, – é uma total falta de perspectiva…

O homem vesgo balançou a cabeça. Eu já tinha ouvido essa explicação e obviamente discordei.

– Por que imaginar uma criança, – disse Tomé, – sendo passada à espada quando ainda não tem dois anos de idade?

Tomé estava se referindo ao massacre de inocentes em Belém e na aldeia de Giló.

– De qualquer forma, – disse o Zelote, – se Deus, bendito seja o seu nome, disse que 'ser perfeito', é porque ele não conhece a humildade…

Eles discutiram novamente. Alguns apoiaram Tomé e Zelote. Outros os desafiaram e amaldiçoaram. Tomei uma posição - em silêncio - com os "rebeldes". Jesus parecia surpreso. E de repente ele perguntou:

– Como você definiria o Pai Azul?

Os íntimos encolheram os ombros. O Mestre aceitou o silêncio. É impossível definir o indefinível. Impossível colocar o oceano em uma panela. É impossível esperar que o peixe julgue sua situação, no meio do mar. E o Galileu sentenciou:

– Falta de perspectiva… Uma coisa é não entender e outra, muito diferente, julgar…

E Felipe, que não havia esquecido a pergunta do Mestre, gritou da cozinha:

– O Pai Azul é uma aventura!

Jesús levantou-se e aplaudiu o intendente. Felipe - cerimonioso e zombeteiro - curvou-se e voltou a esfregar panelas e pratos. E o Urso entrou na conversa:

– Como pode ser que Abbã, bendito seja seu nome, saiba tudo se ele não experimenta nada?

O Mestre respondeu apressadamente:

– Eu te disse: ele trapaceia…

Eles olharam para ele, perplexos. Do que ele estava falando? E o Rabi esclareceu:

– Ele está em sua mente desde os cinco anos de idade… Ele sabe como você é… Ele sabe o que te preocupa, o que você precisa e quais são seus defeitos e virtudes… Ele te guia, mesmo que você não perceba… Ele sabe sobre suas dúvidas e sonhos… Ele experimenta com você e graças a você… Ele dá a você e você dá a ele… Você é a infância que Ele nunca teve…

Tomé, teimoso, voltou à carga:

– Se tudo é tão perfeito no reino invisível e alado, por que existem rebeliões?

O Iscariotes e o Zelote juntaram-se à pergunta feita pelo homem vesgo. Jesus duvidou novamente. Imaginei que ele tinha dificuldade em encontrar as palavras certas. A resposta de Galileu me surpreendeu:

– Lá em cima, – eu supunha que ele queria dizer para o reino invisível, – fazer muitas perguntas não é aconselhável… Esse era o problema de Luzbel.

– Nossa!… Isso é ruim?

O Urso pisou no meu pensamento:

– Nesse reino não há democracia…

– Não precisamos disso. – respondeu Jesus muito sério.

– A democracia é para mundos primitivos.

– Recentemente, – interrompeu André, – quatro de nossos irmãos foram assassinados pelo Sinédrio. Por que o Pai, bendito seja o Seu nome, consente em tal coisa?

Já havíamos conversado sobre isso. E o Rabi se esquivou da pergunta afiada:

– Tudo é projetado para o bem… Mesmo o ruim.

Eu não concordei, mas fiquei em silêncio.

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